A cúpula do PSDB cobrou ontem, em Goiânia, uma definição até dezembro do candidato do partido à Presidência da República em 2010. O coro foi puxado pelo ex-governador Geraldo Alckmin, que disputou as eleições passadas pelos tucanos, e reforçado pelo presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE).
Os tucanos não esconderam a insatisfação – e também preocupação política – com os últimos movimentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a favor da candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. De acordo com eles, enquanto o governo coloca o bloco na rua, o partido está de mãos atadas por falta de definição sobre o candidato que disputará o Planalto.
No encontro do PSDB na capital goiana, Sérgio Guerra disse que espera um acordo – sem necessidade de prévias – até dezembro entre os dois presidenciáveis tucanos, os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais). “O Serra e o Aécio vão se entender ainda neste segundo semestre. Não haverá necessidade de prévias”, afirmou. Até dezembro, os dois vão definir com o PSDB e os aliados os rumos da campanha”, ressaltou.
Por enquanto, Aécio tem insistido nas prévias, mas Serra permanece calado sobre o tema. O governador paulista sequer admite que será candidato a presidente.
Candidato derrotado em 2006 ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin seguiu o mesmo discurso, com mais contundência do que Guerra. “O PSDB não deve entrar 2010 sem definição. O ideal é decidir até dezembro”, disse. “Até um ano atrás, não havia convergência política na relação entre os dois (Serra e Aécio). Agora, há total convergência”, reforçou Sérgio Guerra.
Ao chegar para o evento tucano, Aécio Neves foi questionado sobre as declarações de Guerra e Alckmin. Voltou a falar em prévias e colocou o mês de janeiro como probabilidade para a definição da candidatura do PSDB ao Palácio. “Janeiro seria um bom momento para ter essa decisão tomada.
As prévias devem ocorrer se não houve entendimento. Defendo até o último instante que as bases do partido tomem essa decisão. Até porque na última vez que a cúpula decidiu, o partido perdeu”, afirmou.
“Mais importante do que definir, é o que essa candidatura vai representar”, ressaltou. O governador José Serra, até as 13 horas, não tinha dado declarações à imprensa.
O PSDB tem sido cobrado por aliados, como DEM e PPS, a definir logo o candidato à sucessão do presidente Lula. As legendas avaliam que a candidatura de Dilma vem ganhando terreno nas últimas semanas. A escolha do nome tucano não só poderia segurar a campanha petista, como ajudaria a resolver as alianças regionais.
O presidente do PSDB não poupou críticas ao tom de campanha que o presidente Lula deu na visita às obras de transposição do Rio Francisco ao lado de Dilma. “Ficou claro que não há limites para exposição da candidatura da Dilma”, disse.
Intitulado PSDB: emprego e inclusão social, o encontro de ontem faz parte de seminários que o PSDB vem realizado nas capitais brasileiras, de olho nas eleições do ano que vem.