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Credibilidade ambiental do Brasil depende de Bolsonaro, diz eurodeputada

A eurodeputada tem feito pressão contra a ratificação do acordo comercial entre União Europeia e o Mercosul, citando a alta no desmatamento da Amazônia

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ana Estela de Sousa Pinto
Bruxelas, Bélgica

“O que importa para nós não é quem é o ministro, mas, sim, os resultados de seu trabalho em termos de proteção ambiental”, disse nesta quinta (24) a eurodeputada alemã Anna Cavazzini, ao comentar a renúncia de Ricardo Salles e sua substituição por Joaquim Pereira Leite. Cavazzini, que integra a delegação do Parlamento Europeu para relações com o Brasil e é membro da Comissão de Comércio Exterior e o Grupo de Trabalho de Conduta Empresarial Responsável, tem sido uma das políticas europeias mais críticas do desmatamento da Amazônia.

A eurodeputada tem feito pressão contra a ratificação do acordo comercial entre União Europeia e o Mercosul, citando a alta no desmatamento da Amazônia, de 222% em 2019 em relação a 2018, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Ao todo, foram 9.205 km2 desmatados naquele ano, o equivalente a 80% de um país como a Jamaica. Incêndios florestais ganharam projeção internacional e elevaram as críticas contra o que é visto como falta de governança ambiental.

A Fern, organização ambiental de proteção florestal, também não vê progressos na troca de ministros. “As ameaças que enfrentam a Amazônia e outros biomas preciosos do Brasil vão muito além de um ministro, por mais destrutivas que fossem suas políticas”, disse Nicole Polsterer, ativista de produção e consumo sustentáveis da ONG. “Com as taxas de desmatamento atingindo níveis recordes em maio, e as autoridades brasileiras apresentando medidas que prejudicarão os povos indígenas e o meio ambiente”, segundo ela, serão necessárias “mudanças mais profundas e avanços concretos e mensuráveis ​​para convencer os tomadores de decisão europeus da legalidade e sustentabilidade da agricultura brasileira e indústrias de mineração”.

Para Cavazzini, a renúncia de Salles poderia propiciar “um retorno a políticas e práticas ambientalmente corretas no Brasil, mas esta será uma oportunidade perdida, a menos que o presidente [Jair] Bolsonaro esteja disposto a mudar significativamente seu curso”.

Integrante do partido Verde, a eurodeputada fez parte de um grupo de parlamentares que no ano passado pediu ao Congresso do Brasil que não deixassem avançar projetos como o do chamado “projeto de lei da grilagem” (PL 2633/2020), alterações no sistema de licenciamento ambiental (PL 3.729 / 2004) e na pesquisa e extração de recursos em terras indígenas (PL 191/2020).

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As informações são da Folhapress






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