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Política & Poder

CPMI do INSS vira palco de embate e relator pede prisão de empresário

Rubens Oliveira Costa é acusado de ocultar provas e movimentar milhões em empresas ligadas ao “Careca do INSS”

Redação Jornal de Brasília

22/09/2025 21h14

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Brasília – 22/09/2025 -A CPMI do INSS durante depoimento do empresário, Rubens Oliveira Costa, apontado como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS teve um dos momentos mais tensos até agora. O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator do colegiado, pediu a prisão preventiva do empresário Rubens Oliveira Costa, apontado como braço financeiro de Antônio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”. Com informações da Agência Brasil.

Gaspar acusou o depoente de mentir em sua fala e de esconder documentos relevantes. O relator também pediu a prisão em flagrante por crime de ocultação documental, alegando que o empresário representa risco de fuga e de continuidade de práticas criminosas.

Milhões em circulação

As movimentações financeiras citadas impressionaram os parlamentares. Apenas a Prospect Consultoria, ligada a Costa, teria registrado mais de R$ 33 milhões em 2023 e mais de R$ 70 milhões em 2024 em uma de suas contas. Em outra, somou R$ 46 milhões e R$ 40 milhões nos mesmos períodos. Outras empresas, como a ACCA Consultoria, também chamaram atenção: R$ 10 milhões em 2023 e R$ 30 milhões em 2024.

Além delas, companhias como a ACDS Call Center e a Brasília Consultoria Empresarial teriam movimentado valores que vão de R$ 4 milhões a R$ 48 milhões em apenas dois anos. Para Gaspar, esse fluxo mostra a dimensão do esquema. “Este cidadão participou efetivamente de crimes gravíssimos contra aposentados e pensionistas, continua na impunidade, praticando crimes, se encontrando com outros investigados”, declarou.

Defesa e habeas corpus

Na sessão, Oliveira Costa negou envolvimento direto e disse que nunca foi sócio de Antunes. Segundo ele, sua atuação se limitou à administração financeira em algumas empresas. “Jamais fui sócio de qualquer negócio ao lado de Antônio Camilo”, afirmou.

Antes de responder às perguntas, o empresário leu uma declaração em que informou ter deixado cargos de direção em 2024, antes de conhecer os inquéritos. Ele também ressaltou que não participou de pagamentos de propina.

O depoente ainda contou com a proteção de um habeas corpus concedido pelo ministro Luiz Fux, que o autoriza a permanecer em silêncio e o impede de ser preso por se calar.

Decisão nas mãos do STF

O pedido de prisão preventiva será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ficará sob análise do ministro André Mendonça. Já o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que o colegiado deve votar ainda hoje a prisão em flagrante. Ele, contudo, ponderou que pode reconsiderar se Costa decidir colaborar e apresentar informações novas.

No centro do embate, a imagem do “Careca do INSS” continua assombrando os trabalhos da comissão, enquanto parlamentares tentam pressionar por respostas sobre o rombo causado a aposentados e pensionistas.

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