O ministro de Relações Institucionais da Presidência da República, decease José Múcio, afirmou hoje (26) que não havia necessidade de a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos convocar a chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff. “Nós não vemos razão para convocação da ministra Dilma”.
Enquanto concedia entrevista a jornalistas, no Palácio do Planalto, Múcio foi informado de que a CPI dos Cartões Corporativos havia rejeitado a convocação da ministra. Perguntado se o fato de a ministra ser chamada para prestar esclarecimentos significaria que há suspeitas sobre ela em relação ao vazamento de informações de um suposto dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso, Múcio respondeu: “Isso que nós não entendemos, não tem absolutamente nada a ver com isso.”
O ministro considerou “extremamente grave” o vazamento de dados da Casa Civil sobre as contas do governo Fernando Henrique Cardoso. Múcio confirmou que o governo tem dados de gestões anteriores à do presidente Lula, já que a CPI pediu informações sobre contas dos últimos dez anos, mas negou que haja intenção de usá-los para fazer dossiês.
“O governo tem os dados de todas as despesas que estão à disposição da CPI, mas a idéia não é usar isso como ferramenta para aumentar as distâncias”, afirmou o ministro. “Os dados estão à disposição da CPI, não como instrumento político, ferramenta de acirrar disputas entre governo e oposição.” José Múcio lembrou que o Diário Oficial da União de hoje informa sobre a abertura de sindicância para apurar quem vazou as informações divulgadas pela revista Veja.
A preocupação com a votação do requerimento de convocação da ministra Dilma Rousseff pela CPMI fez com que Múcio adiasse a viagem para Pernambuco, estado onde está sua base eleitoral, para integrar a comitiva do presidente Lula na inauguração de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “A responsabilidade pesou mais, e eu mesmo achei que deveria ficar.”