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CPI: “Há um movimento de abandono a Pazuello”, diz Randolfe

Hoje (18) ocorreu o depoimento do Ernesto Araújo, que foi questionado sobre suas falas anti-China e insumos e a crise de oxigênio em Manaus

Por Geovanna Bispo 18/05/2021 5h30
CPI da covid Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Durante a coletiva após a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito, o vice-presidente da mesa, Randolfe Rodrigues (Rede) pediu para que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que deve depor amanhã (19), ajude a ele e a própria comissão e fale. “Eu acredito que ele (Ernesto Araújo) comprometeu muito o senhor presidente da república e o senhor Pazuello. O melhor que o Pazuello pode fazer era colaborar com essa CPI.”

Ernesto Araújo depôs hoje a comissão e declarou que o Ministério da Saúde, na época comandado por Pazuello, foi o responsável por comprar vacinas para apenas 10% da população do consórcio internacional Covax Facility. Segundo ele, o Brasil tinha opção de adquirir imunizantes para 50% dos brasileiros.

O Covax Facility foi um consórcio criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para auxiliar na aquisição de vacinas, em abril. O Brasil teria entrado no acordo apenas cinco meses depois, em setembro, quando 170 nações já haviam aderido. Ainda assim, Ernesto afirmou que a demora não influenciou negativamente a imunização da população brasileira.

Araújo ainda foi questionado sobre suas falas anti-China, problemas com a aquisição de vacinas e insumos e a crise de oxigênio em Manaus.

Contradições

Araújo se contradisse diversas vezes durante suas respostas. Uma delas foi sobre possíveis intervenções e orientações do presidente Bolsonaro na compra de vacinas e insumos. Segundo o ex-chanceler, ele nunca participou de reuniões em que se falasse “vamos comprar tal vacina ou vamos comprar tal vacina.”

Por duas vezes ele afirmou que não havia sido orientado por Bolsonaro de fechar acordos com certos países e uma vez que sim, ele foi orientado sobre o tipo de contratos que deveriam ser fechados. “Eu jamais participei de qualquer decisão de boicotar qualquer vacina”, concluiu.

Cloroquina

Mais cedo, Araújo afirmou que houve importação de insumos da Índia para produção de cloroquina no Brasil. Ele teria atuado frente ao Ministério das Relações Exteriores e disse que, com a alta na procura do fármaco, “um remédio muito importante que tenha seu estoque preservado”, foi necessário garantir a reserva do medicamento.

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Em março do ano passado, havia uma expectativa de que o remédio poderia tratar e até prevenir a covid-19. “Não só no Brasil”, como disse o ex-chanceler, o que teria levado a diminuição do estoque do medicamento, anteriormente utilizado apenas contra doenças reumatológicas e malária.

Em outros depoimentos da Comissão, representantes já haviam informado de suposta reunião para mudanças na bula do medicamento, de modo que ela pudesse ser incluída no tratamento contra a covid.






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