Na véspera da votação do relatório que pede o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por crime de responsabilidade, a composição da CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, foi alterada. A mudança é vista como manobra para que o documento não avance na casa legislativa.
Dois dos 11 membros titulares foram substituídos. De acordo com registros do Senado, os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) deixaram a comissão, sendo substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE).
Antes das mudanças, a CPI tinha maioria favorável ao relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que aponta indícios de crimes de responsabilidade envolvendo três ministros do STF e o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.
Com a saída de Moro e Marcos do Val, permanecem entre os titulares os senadores Magno Malta (PL-ES), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Marcos Rogério (PL-RO), que indicam apoio ao texto do relator.
As alterações, no entanto, podem mudar o equilíbrio da votação. Além dos novos integrantes Beto Faro e Teresa Leitão, devem votar contra o relatório os senadores Rogério Carvalho (PT-SE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Soraya Thronicke (PSB-MS).
O presidente do colegiado, Fabiano Contarato (PT-ES), também vota em caso de empate. Com isso, a CPI passa a ter potencial maioria para rejeitar o relatório apresentado por Vieira.
Segundo informações do Senado, as mudanças ocorreram no bloco partidário formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil, a pedido da liderança do MDB. A comissão ainda conta com sete suplentes. A sessão de votação do relatório final teve início às 14h20.