Como em um efeito dominó, as indicações feitas pelo vice-governador Tadeu Filippelli têm enfrentado sucessivos problemas nos cargos. A última vítima do carma da lista do PMDB foi o agora ex-administrador de Santa Maria, Neviton Pereira Júnior, exonerado após decisão do juiz Max Abrahão Alves de Souza, por suspeita de conluio para o desvio de verba empenhada para a realização da 23ª edição da festa de aniversário da cidade, conhecida como Fassanta 2013.
A queda de Neviton, além dos agravantes observados pela Justiça e pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), pode envolver questões políticas, como o reduto eleitoral de Santa Maria, agora sob os cuidados de Erivaldo Alves Pereira, indicado do PT.
Derrota para Weslian
De acordo com um deputado, o reduto é de interesse do governador Agnelo Queiroz, que nas eleições de 2010 perdeu para sua concorrente Weslian Roriz.
Segundo o deputado, o objetivo do PT é desempenhar um projeto de investimentos na cidade até as eleições do ano que vem, tentando prevenir que um dos membros do clã Roriz se estabeleça em Santa Maria durante o pleito.
Outra preocupação do Buriti é com a possível cassação de Raad Massouh (PPL), já aprovado na Comissão de Ética da Câmara Legislativa. Caso perca o mandato, assumirá Paulo Roriz (PEN), hoje na esquecida Secretaria do Entorno. Ele não jura fidelidade à família, mas por conta de seu sobrenome pode atrair votos para o clã, já que tem ali seu reduto político.
Panfletos da discórdia
Os ataques a Neviton começaram em meados de julho, quando um homem foi levado por policiais à delegacia de Santa Maria por estar distribuindo panfletos pela cidade, com críticas a gestão do então administrador. O informativo anunciava, ainda, uma manifestação na cidade.
Na ocasião, Neviton, que é coronel da Polícia Militar confirmou que havia acionado a corporação, por meio do 190, e que era um direito dele.
Néviton não foi primeiro a cair
O administrador Neviton Pereira Júnior não foi o primeiro indicado do vice-governador Tadeu Filippelli a cair em Santa Maria. Márcio Gonçalves Ferreira saiu do cargo, após nove meses na administração, sob a suspeita de irregularidades. À época, o Buriti desmentiu as alegações e Márcio saiu afirmando aos servidores que assumiria outro cargo na governo. Outra indicação que tem sido personagem frequente nas páginas dos jornais e em telejornais é o diretor-geral do DFTrans, Marco Antonio Campanella, acusado de utilizar as instalações do órgão fiscalizador para a realização de filiações para o PPL, visando as eleições de 2014.
Suspeita de que shows foram superfaturados
Neviton Pereira Júnior foi exonerado, na manhã de ontem, depois que o governador Agnelo Queiroz foi notificado pelo juiz Max Abrahão, da Segunda Vara Criminal de Santa Maria, que pedia o afastamento do agora ex-administrador da cidade para evitar que ele interferisse nas investigações.
Segundo a acusação, ele e o chefe da Assessoria de Comunicação da Administração de Santa Maria, Amilton Pereira da Luz são suspeitos de formar um conluio para que os contratos de shows da 23ª Fassanta fossem superfaturados.
Busca e apreensão
O secretário substituto de Transparência e Controle do GDF, Mauro Noleto, afirmou que a Decap havia realizado na administração operação de busca e apreensão, para que sejam analisados os contratos da festa de aniversário da cidade.
Noleto declarou que os contratos ainda não foram quitados e que não houve prejuízo ao erário. Porém, a acusação da Justiça mostra que há suspeitas também sobre a festa de Carnaval realizada em 2011.
O GDF havia garantido que as festividades ocorreriam, mas poucas horas depois emitiu nota em que cancelando as apresentações. A Secretaria de Transparência pedirá à Justiça o compartilhamento do material apreendido e prometeu concluir em 15 dias a auditoria, podendo prorrogar o caso.