Barack Obama chega à Casa Branca com duas guerras em aberto e a pior crise econômica dos últimos 80 anos, more about desafios difíceis de enfrentar mas não mais complicados que o de corresponder às altas expectativas geradas por sua vitória.
A chegada de Obama a Washington se vive, dentro e fora dos Estados Unidos, como ar fresco após os oito anos de George W. Bush, que deixa a Presidência com uma imagem pública muito prejudicada e índices de popularidade historicamente baixos.
As coisas são diferentes para Obama, que, antes mesmo de pôr os pés no Salão Oval, já se transformou no cidadão americano mais admirado, segundo pesquisa elaborada pelo jornal “USA Today”.
Sua intensa atividade de nomeações e de tomada de decisões durante o período de transição fez ainda com que 75% de entrevistados se digam “esperançosos” e “orgulhosos” sobre sua chegada ao poder, segundo outra pesquisa do “Los Angeles Times”.
Mas chegar à Casa Branca cercado de tantas expectativas tem seu risco, especialmente pela dificuldade de cumprir com os objetivos traçados para sua gestão, como já apontaram vários especialistas.
“Sempre há riscos de decepcionar, especialmente quando as expectativas são tão altas”, disse à Agência Efe Thomas E. Mann, analista de opinião pública do centro de estudos Brookings.
Apesar desse risco, “a boa disposição gerada por Obama e a própria gravidade dos problemas que enfrenta dará a ele certa margem de tempo para obter resultados”, acrescentou Mann.
Às vésperas de uma mudança histórica de Governo nos EUA, os analistas coincidem em destacar o entusiasmo que a chegada de Obama provocou dentro e fora do país, embora ainda analisem o porquê.
Para Mann, há várias razões, apesar de a principal ser a etapa “desmoralizadora” vivida pelos EUA nos últimos oito anos, com “uma guerra muito impopular, uma política desagradável e uma economia improdutiva e estagnada”.
“Os americanos acham que seu país se desviou seriamente de seu rumo, e que nunca esteve tão ruim o peso dos EUA no panorama internacional. O apetite por mudanças é enorme, e Obama representa essa mudança”, destacou.
O segundo fator é intrínseco à personalidade de Obama, um político “efetivo, interessante e com uma inteligência incomum, e cuja herança racial supõe uma possibilidade de mudança profunda para os EUA”.
Com a opinião pública a seu lado, Obama se prepara para adotar desde o primeiro dia de Governo medidas agressivas, com o objetivo de enfrentar o maior dos problemas do país, a recessão econômica.
Sua medida principal envolverá o lançamento de um ambicioso plano de estímulo à economia, que poderia chegar a US$ 800 bilhões e que teria como destino um gigantesco investimento em infraestruturas.
O segundo desafio de Obama na Casa Branca virá do exterior, com duas guerras em aberto e uma situação de violência extrema no Oriente Médio, além de uma crescente impopularidade dos EUA no mundo.
Para reverter esse quadro, conta com a ajuda da senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton, que terá a tarefa de levar para o exterior a mensagem de mudança e colaboração que Obama quer impor durante seu mandato.
À economia e à política externa se unem outros problemas graves para o próximo Governo: o desemprego, a crise energética, o meio ambiente, a perda de poder aquisitivo da classe média americana, a deterioração da educação e a reforma sanitária.
Obama decidiu cercar-se de especialistas de primeiro nível, alguns deles prêmios Nobel, para enfrentar tais desafios.
Para muitos analistas, os primeiros movimentos de Obama como chefe de Estado já revelam como será sua Presidência.