JULIANA ARREGUY
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A convenção que confirmou as candidaturas do PSB em São Paulo, na noite desta sexta-feira (31), teve defesa da soberania nacional, do direito aos votos das mulheres, críticas ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e até exaltação à cadeirada dada pelo apresentador José Luiz Datena em Pablo Marçal durante a eleição municipal de 2024.
Confirmado candidato a vice-governador na chapa de Fernando Haddad (PT), Márcio França disse que a campanha de Tarcísio à reeleição não enfrentaria meninos na disputa, mas sim homens.
“Nem vai precisar das cadeiradas do Datena”, brincou França em seu discurso no plenário da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), onde foi realizado o evento.
Candidato a deputado federal pelo PSB, Datena fez um breve discurso logo após a fala de França dizendo se arrepender da cadeirada -mas afirmando ter sido necessário apelar para a agressão para se defender de acusações que, segundo ele, foram infundadas.
O apresentador ergueu uma cadeira durante a sua fala e brincou: “O Márcio falou que não precisa, mas por via das dúvidas”. O público presente gritou “cadeirada, cadeirada” durante a cena.
Presente na convenção, Haddad criticou diversos serviços da gestão Tarcísio e disse que o governador tem intimidado os prefeitos a aderir à Sabesp privatizada.
“Quando são convidados [os prefeitos] para ir ao Palácio dos Bandeirantes, é para um anúncio de repasse obrigatório, porque o discricionário não vem. O que é obrigatório é celebrado como se fosse um favor. E os prefeitos são intimidados. Agora estão sendo intimidados a aderir ao processo de privatização e saneamento básico no estado, mesmo aqueles que têm autarquias ou empresas funcionando muito bem.”
Marina Silva (Rede), que será candidata ao Senado na mesma chapa de Haddad, França e a também ex-ministra Simone Tebet (PSB), afirmou que os candidatos têm se reunido com prefeitos em agendas fechadas, “porque eles [prefeitos] não gostariam de que houvesse algum tipo de retaliação [por parte de Tarcísio]”.
“Enquanto nós nos deixarmos levar por paixões políticas irracionais, por cegueira deliberada, por ideologia barata, nós não vamos nos debruçar sobre a situação crítica desse encontro no nosso estado”, acrescentou Haddad.
Candidato à vice-presidência da República, Geraldo Alckmin discursou em favor dos votos das mulheres – em uma referência às críticas de bolsonaristas ao sufrágio feminino, que teve o empresário Paulo Figueiredo, neto do último presidente da ditadura militar, dizendo que mulheres votam mal. Ele utilizou como exemplo a Revolução de 1932.
“Nossos irmãos morreram, deram sangue, deram a vida para lutar por uma Constituição. E um dos primeiros itens era o direito de voto às mulheres, porque as mulheres não tinham direito de votar”, afirmou ele.
A deputada federal e candidata à reeleição Tabata Amaral (PSB), em seu discurso, defendeu a soberania nacional e disse que Flávio Bolsonaro (PL) “ao invés de ir para a rua, começa a se juntar com quem há de pior no mundo”, citando os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, Javier Milei, da Argentina, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.