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Política & Poder

Contas de Agnelo são salvas pelos distritais

Arquivo Geral

03/12/2014 7h20

Após várias reuniões, telefonemas, périplos por gabinetes e muita articulação política, o governador Agnelo Queiroz conseguiu vencer o assédio do governador eleito Rodrigo Rollemberg e aprovar, na Câmara Legislativa, o projeto que cria o Fundo Especial da Dívida Ativa (Fedat). A expectativa é de que, até o dia 31, entrem no caixa do governo cerca de R$ 500 milhões e o petista consiga pagar fornecedores e a folha de pagamento de servidores. 

Rollemberg   tentou, pessoalmente, impedir a aprovação, com ligações telefônicas e até encontros com alguns deputados distritais. Mas foi em vão. A base aliada do governador Agnelo e até a oposição votaram a favor do projeto. Com 15 favoráveis, dois contra e uma abstenção, o governo conseguiu, com folga, aprovar a proposta.

Três emendas da distrital Celina Leão (PDT), aliada de Rollemberg, foram rejeitadas e uma briga se instalou no plenário. De um lado, a deputada argumentava a favor das emendas, com assessoria da equipe de transição, que acompanhou a votação de perto. De outro, a líder de Governo, Arlete Sampaio (PT), tentava salvar uma emenda de sua autoria, que vai agilizar o processo para o GDF: o BRB será o gestor do fundo. Com isso, o dinheiro entra ainda mais rápido na conta.

Celina disse que as emendas não inviabilizariam o projeto, mas dariam mais transparência às ações do governo. Ela tentou, de várias formas, emplacar as alterações, mas foi vencida pelo acordo bem costurado pelo governador Agnelo. 

Com Celina,  votou contra o projeto Paulo Roriz (PP). Joe Valle (PDT), que é da base de Rollemberg, nem sequer ao Plenário foi. Liliane Roriz (PRTB) se absteve, mas  votou a favor das emendas de Celina, assim como Benedito Domingos (PP), que votou a favor do projeto.

Surpresa

A surpresa  foi o distrital Alírio Neto (PEN), que já tinha declarado que estaria no plenário para tentar “inviabilizar a votação”. Mas recuou. Mesmo depois de ter conversado com  Rollemberg, Alírio resolveu ser favorável ao que chamou de “ato vergonhoso para a cidade”.

Logo após dizer “sim” ao projeto que salva as contas de Agnelo, ele pediu a palavra para dizer que votou a favor dos servidores públicos. “Vários servidores disseram que a não aprovação da proposta poderia atrapalhar o pagamento da folha. Fiquei do lado dos servidores”, disse, acrescentando que não tem acordo com o governador eleito.

Esperados pelo governo para engrossar o quórum, Cláudio Abrantes (PT) e Agaciel Maia (PTC) faltaram à sessão.

Para  transição, proposta “vai causar danos”

De um canto do plenário, o coordenador da transição, Hélio Doyle, assistiu à sessão. Para ele, a aprovação do projeto “premia o governador, que passou quatro anos gastando mal o dinheiro público”.

Visivelmente decepcionado com a aprovação da proposta, mesmo depois de todas as investidas do governador eleito, Doyle disse que o projeto aprovado “vai causar danos ao Distrito Federal”. 

Para ele, o governo “está desesperado em busca de recursos, mesmo que seja de uma forma ilegal e irresponsável”.

“Estranheza”

Por meio da assessoria, o governador Agnelo Queiroz disse que fica impressionado com “a falta de informação”. 

“Se dar reajuste salarial para diversas categorias, como saúde, segurança e educação, por exemplo, realizar centenas de obras, construir UPAs, clínicas da família, creches, o Expresso DF etc, é gastar mal, então não sei o que é investir bem o dinheiro público”, afirmou Agnelo.

Em crise notória com a equipe de transição, o governador disse que o novo governo não se mostra nem um pouco preocupado com a população do DF.  “Me causa estranheza a falta de sensibilidade política e a falta de compromisso”, disse. 

Coordenador de Rollemberg critica medida

“Esse projeto é escancaradamente ilegal. É tão absurdo que é difícil acreditar que foi aprovado. Esperamos que os responsáveis sejam punidos.”

“A Câmara Legislativa legitimou uma ação ilegal e irresponsável do governo que está saindo. Este é um projeto que visa corrigir erros de quatro anos.”

“Para nós, não cria um clima ruim com a Câmara Legislativa, mas é difícil entender.” 

“O que pude acompanhar foi um festival de besteiras de vários deputados que ocuparam o microfone para defender um assunto que não sabiam do que se tratava com argumentos ridículos.”

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