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Como possível retaliação a Barroso, fezes foram espalhadas pelo TSE

O ministro tem virado alvo de críticas de adeptos do presidente Jair Bolsonaro e do próprio chefe do Executivo

Por Ary Filgueira 25/01/2022 4h55
Foto: Reprodução/Agência Brasil

O mistério anda tirando o sono da administração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em três locais diferentes, foram espalhadas fezes na parede de ambientes dentro daquela corte. Um dos quais restrito até mesmo a funcionários terceirizados.

O mais recente episódio desse possível ataque escatológico foi no refeitório que serve à Presidência do TSE, cujo o ministro Luís Roberto Barroso está à frente. Ele que é um ferrenho defensor da segurança das urnas eletrônicas e que por isso tem virado alvo constante de críticas de adeptos do presidente Jair Bolsonaro e do próprio chefe do Executivo.

Lá, o vandalismo deixou entupidas as latrinas dos banheiros. Além disso, foi executado movimento que parecem ter sido feitas com um saco plástico em posição giratória, fazendo com que as paredes do compartimento ficassem chapiscadas do excremento.

Além do refeitório, outros dois pavimentos foram tisnados pela mesmo material humano. No quarto andar, onde funciona a Secretaria de Administração. No ano passado, foi detectado esse tipo de vandalismo no banheiro do subsolo. Este, sim, acessível para terceirizados.

Este último caso, foi confirmado pela Assessoria de Comunicação do TSE. Segundo nota enviada ao Jornal de Brasília, “um incidente ocorrido no final do mês de novembro de 2021, em um banheiro do subsolo do prédio, com acesso permitido a servidores e colaboradores, está sendo apurado.”

Dez dias antes da resposta, foi realizada uma reunião com os funcionários terceirizados com o intuito de conter o vazamento da informação para que não viesse a público. A reunião contou com mais de cem pessoas, entre vigilantes, brigadistas, copeiras e recepcionistas.

Até agora, o tribunal não sabe se isso é apenas ato de vandalismo em série ou uma retaliação política em função dos acontecimentos mais recentes envolvendo a gestão de Barroso, que se notabilizou em defender no tribunal práticas consideradas partidárias e que tem desagradado boa parte dos servidores.

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Além disso, Barroso tem se visto às voltas com o presidente Bolsonaro, defensor do voto impresso. Os dois chegaram a trocar farpas em público com declarações ácidas na imprensa. Num dos episódios que deu a medida exata dessa relação tóxica entre os dois se deu pouco depois das comemorações de Sete de Setembro.

No dia 10 daquele mês, horas após recuar das investidas contra o Judiciário e dizer que respeitava as instituições, Bolsonaro defendeu novamente o voto impresso nas eleições e com ataques a Barroso. Disse que “palavras bonitas” do presidente do TSE não convenciam ninguém.

“Palavras bonitas, que sei que o ministro Barroso tem, dada a sua formação de jurista, diferente da minha, que tem palavrão de vez em quando, mas não convence ninguém”, disse Bolsonaro durante transmissão nas redes socias.

A resposta de Barroso veio imediata e também por redes sociais. O presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, disse que Bolsonaro é “farsante” e agia com “covardia” ao criticar a Justiça Eleitoral.

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A retórica contra o presidente se estendeu para uma das sessões do TSE. “Após uma live que deverá figurar em qualquer futura antologia de eventos bizarros, [Bolsonaro] foi intimado pelo TSE para cumprir o dever jurídico de apresentar as provas, se as tivesse. Não apresentou. É tudo retórica vazia, contra pessoas que trabalham sério e com amor ao Brasil, como somos todos nós aqui. Retórica vazia, política de palanque. Hoje em dia, salvos os fanáticos, que são cegos pelo radicalismo, e os mercenários, que são cegos pela monetização da mentira, todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história”, atacou Barroso.

Outra rusga entre o ministro-presidente do TSE e o grupo bolsonarista que pode estar camuflado dentro do próprio tribunal diz respeito ao calendário de 2022 fornecido pelo TSE aos servidores, que tem como tema a “diversidade”.

O tema do mês de maio do calendário ressalta a “diversidade cultural e família”. Traz como suporte um texto explicativo: “Família matrimonial, homoafetiva, monoparental, anaparental, socioafetiva, mosaico, paralelas, substituta, eudemonista, poliafetivas e várias outras são exemplos de entidades familiares.”

Já no mês de junho, o tribunal homenageia “o orgulho LGBTQIAP+”. O TSE afirma que o símbolo “+” se refere a “todas as diversas possibilidades de orientação sexual e/ou de identidade de gênero que existam.”

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Toda essa posição adotada pelo TSE durante a gestão do presidente do tribunal, ministro Luís Roberton Barroso, pode ter desencadeado esse ataque pouco convencional ao patrimônio público (cabe ao tribunal investigar). Por outro lado, também podem não ter influência e esse atos significarem apenas – e tão somente – vandalismo na sua mais pura e simples essência. Protesto ou não, o que se espera é que o mau exemplo não vaze para outras instituições da nossa democracia.








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