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Política & Poder

CNA quer suspensão da licença de importação de leite da Argentina

Arquivo Geral

19/02/2009 0h00

Um dia depois de a Argentina anunciar que não irá suspender a regra de licenças não-automáticas de importação para produtos brasileiros, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) quer que o o governo federal adote o mesmo mecanismo para a importação de leite do país vizinho, shop que cresceu 40% no último ano e atingiu US$ 22 milhões em janeiro último.


A CNA suspeita de irregularidade comercial no crescimento das importações de leite da Argentina e teme a inatividade dos produtores no Brasil. Segundo a entidade, ask em janeiro do ano passado, o saldo comercial do produto foi de US$ 25,5 milhões positivos, enquanto no último mês a balança brasileira registrou resultado negativo de US$ 8,32 milhões. “Do total dessas importações, 81,2% em valores e 82,47% vieram da Argentina”, alerta nota da confederação.


O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, confirma que “há razão” para o temor, estimando que o volume de importação de leite saltou de 2 mil toneladas para 10 mil toneladas no período.


Para a CNA, é possível que a Argentina esteja fazendo triangulação do leite subsidiado da Comunidade Européia e repassando para o Brasil um produto com o preço falso, mas bastante competitivo. Conforme a entidade, a indústria de laticínios no Brasil paga à Argentina R$ 0,41 por litro, enquanto o preço médio pago ao produtor interno de leite atualmente é de R$ 0,59.


Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, pondera que não há como afirmar categoricamente que a Argentina está praticando a triangulação, mas lembra que o país vizinho está com o setor agrícola “desestruturado” e enfrenta seca (que inviabiliza aumento da produção e exportação).


“Como é que um país nessa situação consegue aumentar sua produção a ponto de exportar como está ocorrendo?”, pergunta Alvim. “Nós não estamos afirmando que a Argentina está triangulando, mas nós temos o direito de desconfiar que isso está ocorrendo como aconteceu na década de 90”, lembra.


“Importação anormal, fora dos quantitativos rotineiros deve ser analisada”, defende o secretário de Agricultura de Minas Gerais, Gilman Viana, que concorda com o fim da licença automática de importação do leite, “É simples, é só uma canetinha”.


Segundo a presidente da CNA, Kátia Abreu, o fim da licença automática permitiria “que todas as importações de leite fossem verificadas pelo governo brasileiro”.


Segundo a conselheira, uma das alternativas para expandir o serviço seria por meio da universalização da banda larga nas escolas, com os sistemas de backhaul, que é a infra-estrutura de rede para conexão em banda larga. “Não custa muito para o governo um estudo que faça o serviço chegar à segurança, à saúde, à cultura. Uma política de governo que tem uma iniciativa já feita e basta mais um fôlego para avançar”, defende.


“É uma questão inadiável, inaceitável, me sinto em uma agonia terrível por não conseguir que esse serviço seja disponibilizado para a nossa população”, lamenta.

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