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Política & Poder

Centrão sente baque com derrota de Flávio Bolsonaro, mas já projeta participação no governo Lula 4

Partidos articulam alianças regionais e negociações no Congresso para garantir ministérios e influência na próxima gestão, prevista para começar em 2027

Redação Jornal de Brasília

26/10/2026 15h24

hugo motta a mesa do plenario da camara preside sessao que aprovou o novo licenciamento ambiental em 16 de julho de 2025 foto bruno spada agencia senado 1024x576

Foto: Bruno Spada/Agência Senado

AUGUSTO TENÓRIO E RAPHAEL DI CUNTO
FOLHAPRESS

O centrão sentiu um baque com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial deste domingo, mas partidos desse grupo político já vislumbram participação no próximo governo Lula (PT).

Uma aposta repetida em diferentes partidos do centrão é a de que o petista não levará partidos inteiros para a sua base de apoio, mas buscará alianças com grupos para garantir a governabilidade. Ele deve lotear ministérios para favorecer alas das legendas com as quais possui mais proximidade, sem garantia de votos de toda a bancada, já que há grupos fortemente alinhados à direita dentro dessas siglas.

Uma das divisões do centrão que sai na frente para a participação nos ministérios é a dos diretórios do Norte e Nordeste, que fizeram campanha por Lula. O MDB continua fortalecido no Senado, com os diretórios do Amazonas, Pará e Alagoas à frente. No PSD, a ala mais lulista é a da Bahia, enquanto o PP e o Republicanos da Paraíba encamparam a campanha de Lula e têm expectativa de maior espaço.

O partido do centrão mais empolgado com a vitória do presidente Lula é o PSD. A legenda de Gilberto Kassab foi a única do grupo a manter neutralidade no segundo turno, apesar da avalanche de apoios a Flávio após o candidato do PL sair na frente do petista no primeiro turno. Dirigentes ouvidos sob reserva pela reportagem dizem esperar espaços melhores na Esplanada a partir de 2027.

O Republicanos, um dos partidos que apoiou Flávio no segundo turno, prevê uma dificuldade inicial de diálogo com o governo reeleito.

Apesar disso, o partido considera que há espaço para conversar, principalmente porque a base minoritária do PT no Congresso obrigará o Planalto a estender o leque de alianças. O presidente da sigla, Marcos Pereira, foi um dos primeiros a reconhecer a vitória e afirmou que Lula terá “a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro”.

A expectativa é que o MDB, que foi privilegiado no atual governo com os ministérios das Cidades, do Planejamento e dos Transportes, tenha dificuldade. Uma ala majoritária do partido declarou apoio a Flávio Bolsonaro, num movimento que surpreendeu petistas.

A federação União Brasil-PP é a mais consternada com a derrota de Flávio Bolsonaro. Os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, são próximos ao candidato do PL, e fizeram campanha mais intensamente pela eleição dele no segundo turno.

Aliados reconhecem que a proximidade das legendas ao bolsonarismo vai dificultar o diálogo sobre composições, mas também acreditam que o Planalto precisará construir pontes com o campo das legendas que tem proximidade com o PT.

O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, divulgou uma mensagem nesta segunda (26) reconhecendo o resultado e parabenizando Lula.

Uma aposta da federação União-PP para diálogo e composição com o governo é a convergência para a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) como presidente do Senado. O cargo do amapaense está ameaçado devido ao avanço bolsonarista na Casa, o que deve levar seu partido e o Planalto a trabalharem juntos para mantê-lo no comando do Congresso.

Bolsonaristas miram a presidência do Senado para promover o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre barrou a tramitação dos pedidos de afastamento de magistrados, enquanto o PL cobra a saída, pelo menos, do ministro Alexandre de Moraes.

O partido de Flávio e Jair Bolsonaro elegeu 19 senadores neste ano e assegurou a maior bancada da Casa, com 29 congressistas. É a maior bancada partidária ao início de uma legislatura, desde a promulgação da Constituição de 1988, segundo o Senado. O recorde era do MDB, que em 1999 tinha 27 cadeiras.

Para garantir a eleição do presidente da Casa, são necessários 41 votos. A votação ocorrerá em fevereiro de 2027, com a posse dos novos congressistas. O PL trabalha para eleger o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (RN), e tem a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como opção.

Para uma ala do centrão, Alcolumbre se fortaleceu com a eleição de Lula. O grupo avalia que o Senado precisará de uma opção de equilíbrio e diálogo com o Planalto, sem extremismo. Tereza era vista como alternativa ideal do grupo num cenário de Flávio Bolsonaro eleito.

Nesse sentido, o Republicanos também avalia que vai se reaproximar naturalmente do governo com a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara. O PL conquistou a maior bancada na Casa e ensaiou um movimento para derrubar o atual chefe dos deputados.

Motta reagiu e angariou apoio de partidos do centrão e contará com o apoio do governo, largando com vantagem para se reeleger no comando da Câmara. O movimento isolou o PL na Casa.

No governo Lula 3, o petista contemplou PSD, União Brasil e MDB com três ministérios cada. Apesar disso, eles jamais integraram a base de apoio do petista formalmente. Em 2026, a federação União-PP rompeu relações com a gestão petista, mas ministros mantiveram seus cargos.

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