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Política & Poder

Centrais sindicais pedem fim da escala 6×1 sem transição

Audiência na Câmara reuniu sindicatos, empresários e deputados na discussão da PEC 221/19, que prevê redução da jornada. Relator deve apresentar o parecer final nesta quarta-feira (20).

Redação Jornal de Brasília

19/05/2026 21h46

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Bruno Spada / Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias

Representantes de centrais sindicais defenderam nesta terça-feira (19), na Câmara, a aprovação do fim da escala 6×1 sem período de transição. A posição foi apresentada em audiência pública da comissão especial que analisa a PEC 221/19, que deve ter o relatório final apresentado nesta quarta-feira (20).

Segundo os sindicalistas, o tema não é ideológico e a pressão por mudanças ocorre em meio a transformações nas condições de trabalho e na rotina dos trabalhadores. O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antonio Neto, afirmou que a vida do trabalhador se tornou mais exigente e que, apesar do avanço tecnológico, o cotidiano das pessoas não ficou mais leve.

Pelo texto em discussão, o relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), tem falado em uma jornada de 40 horas com dois dias de descanso e sem perda salarial. Para que as emendas à proposta original sejam analisadas, são necessárias 171 assinaturas, e as duas emendas que previam prazo de dez anos para a redução de 44 para 40 horas tinham 171 e 176 nomes inicialmente, mas pelo menos nove deputados retiraram suas assinaturas.

Em outra audiência da comissão, pela manhã, a empresária Isabela Raposeiras afirmou que as empresas estão perdendo dinheiro com ausências de trabalhadores por atestados médicos. Ela disse ainda que a escala de sua empresa é de 4×3 e que a produtividade aumentou.

Na mesma discussão, a deputada Julia Zanatta (PL-SC) defendeu que a jornada seja tratada por meio de negociação entre patrões e empregados, para evitar impactos sobre pequenas empresas. Ela também disse ter recebido ameaças por suas posições.

Ainda pela manhã, a comissão ouviu debatedores sobre os impactos da jornada atual na saúde dos trabalhadores. De acordo com Vitor Filgueiras, da Fundacentro, um estudo da Organização Mundial da Saúde mostra que um terço das doenças do trabalho tem relação com jornadas elevadas. A vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Thessa Guimarães, afirmou que os problemas mais comuns são depressão, ansiedade e aumento de riscos cardiovasculares, e disse que a reforma da Previdência alongou o tempo de trabalho para que a pessoa consiga um valor mais próximo da média das suas contribuições.

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