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Política & Poder

Carter Center volta atrás e planeja enviar missão eleitoral ao Brasil

De acordo com pessoas que acompanham o tema, o Carter Center pleneja focar seu trabalho no sistema eletrônico de votação e em educação eleitoral

Redação Jornal de Brasília

24/08/2026 15h45

TSE

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

RICARDO DELLA COLETTA
FOLHAPRESS


Cerca de 20 dias depois de ter comunicado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que não enviaria uma missão de observação ao Brasil em 2026, o Carter Center voltou atrás e decidiu escalar uma equipe de especialistas para acompanhar o pleito de outubro.

Trata-se da única organização americana convidada pelo TSE a analisar as eleições.

De acordo com pessoas que acompanham o tema, o Carter Center pleneja focar seu trabalho no sistema eletrônico de votação e em educação eleitoral. Ao final do processo, os especialistas do centro produzirão um relatório sobre essas duas áreas.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, tem defendido a interlocutores a necessidade de ampliar o monitoramento internacional das eleições para blindar o processo contra possíveis questionamentos aos resultados e às urnas.

Em 17 de agosto, Kassio recebeu em Brasília representantes de dezenas de embaixadas estrangeiras e disse que as missões internacionais de observação “avaliarão a integridade, a eficácia operacional e o cumprimento estrito das normas eleitorais brasileiras”.

Na ocasião, ele não citou o Carter Center entre as organizações que compareceriam justamente porque a corte já havia sido comunicada da impossibilidade da organização de participar.

“Neste pleito, tal qual vem sendo feito desde as eleições de 2018, as missões internacionais de observação poderão acompanhar oficialmente diferentes etapas do processo eleitoral, incluindo cerimônias públicas de auditoria, preparação das urnas eletrônicas, votação, apuração e totalização de votos”, disse Kassio.

Fundado em 1982 pelo ex-presidente americano Jimmy Carter (1924-2024) e por sua esposa, Rosalynn (1927-2023), o Carter Center tem vasta experiência na área de observação eleitoral, tendo organizado mais de cem missões em 40 países.

No Brasil, o Carter Center atuou como observador da eleição de 2022 —quando o presidente Lula (PT) derrotou Jair Bolsonaro (PL).

Naquela disputa, a missão foi formada por quatro especialistas, durou dois meses e contribuiu para a estratégia do TSE de usar entidades internacionais para rebater o discurso bolsonarista contra as urnas eletrônicas.

A expectativa é que, faltando seis semanas do primeiro turno, a missão de 2026 seja composta pelo mesmo número de pessoas.

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o Carter sofre as consequências da crise generalizada de financiamento das agências internacionais de desenvolvimento e cooperação. Diante desse quadro, a direção do Carter havia optado por centrar os recursos disponíveis, agora mais limitados, em outros processos eleitorais.

A entidade recebe doações de governos, indivíduos, empresas, fundações e agências internacionais. Historicamente, os Estados Unidos são um doador relevante, seja pela Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) ou diretamente pelo Departamento de Estado (semelhante ao Ministério de Relações Exteriores).

Países como Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Bélgica e União Europeia também fazem parte da lista de contribuintes.

Algumas das fundações que costumavam apoiar missões internacionais alegaram que estavam priorizando ações emergenciais e humanitárias a partir da crise desencadeada com a decisão de Trump de fechar a Usaid.

Outro obstáculo foi a decisão da União Europeia de organizar uma missão própria, que participará pela primeira vez de um pleito brasileiro. Como parte das doações ao Carter vem de governos europeus, alguns desses países preferiram direcionar recursos para a missão da UE.

O Carter Center não pode aceitar recursos do governo ou de qualquer instituição no país onde realiza a observação.

As eleições brasileiras devem ter como principais observadores internacionais a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a União Europeia.

Além do Carter Center, a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), a Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais), a Liga Árabe e o Parlasul também devem enviar missões.

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