
O futuro da atual gestão do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) pode estar comprometido. Indícios de que servidores da autarquia estariam fazendo uso do cargo e do espaço público para filiar interessados em ingressar no Partido Pátria Livre (PPL) ameaçam o diretor-geral Marco Antônio Campanella. Além de chefe do órgão, ele é presidente regional do PPL e, embora negue, supostamente utilizaria o espaço público para reuniões sobre assuntos partidários.
Essa prática, na visão do próprio procurador regional eleitoral, Elton Ghersel, se enquadra na ilegalidade conhecida como improbidade administrativa. Portanto, o Ministério Público do Distrito Federal seria o responsável pela investigação, uma vez que os indícios de irregularidade são em âmbito estadual. As sanções podem ir desde a aplicação de multa até a recomendação de perda da função.
Sobrou para o terceirizado
A denúncia sobre a militância política dentro do DFTrans foi veiculada pela Rede Globo. Na reportagem o funcionário Dehordam Nascimento Alves, que integrava a equipe institucional, forneceu as informações sobre a filiação.
Dehordam inclusive, reconheceu a ilegalidade, mas se defendeu ao dizer que: “aqui geralmente a gente faz isso para você não perder a viagem”. Em outro trecho ele chegou a garantir que o diretor-geral do órgão receberia no próprio órgão quem o procurar para esclarecimentos políticos.
O DFTrans afirmou que Dehordam, prestador de serviços por meio de uma empresa terceirizada, foi afastado. Por outro lado, Campanella afirmou não conhecer o funcionário e negou qualquer tipo improbidade administrativa.
Cabe multa
O procurador regional eleitoral, Elton Ghersel, membro do Ministério Público Federal, destaca que há possibilidade da atitude se configurar como uma infração administrativa eleitoral. “A circunstância geraria multa ao beneficiário, que é o partido político, pelo Tribunal Regional Eleitoral. A situação será constatada e avaliada”, afirma.