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Política & Poder

Candidato defende que políticos não devem ter salário

Arquivo Geral

24/09/2014 7h20

Parece difícil imaginar que alguém vá abrir mão do gordo salário de deputado federal, de R$ 26.723,13, mas essa é das promessas de campanha de Juraci Tesoura de Ouro (PTB). Dono de quase 40 lojas e de confecções de roupas, ele afirma não precisar do dinheiro que pode ganhar como parlamentar. “Quando você se candidata a alguma coisa e pensa em ganhar dinheiro, está sendo leviano. Existem candidatos que dizem que vão representar o povo, mas na verdade só estão interessados nos salários e na verba de gabinete, pensando em se dar bem. No parlamento, no máximo 30% querem o melhor do País”, diz. Toda a remuneração será revertida para a construção de um hospital geriátrico. Em Brasília há mais de 30 anos, o cearense já foi datilógrafo, feirante  e cobrador de ônibus, antes de vencer no comércio. Como representante do empresariado, Juraci também garante que tentará promover a desburocratização para a geração de empregos e obtenção de alvarás.  

Como está sendo a campanha de estreia?

Nunca fui candidato a nada. É uma experiência nova, é difícil, mas a facilidade que estou encontrando se deve também a nunca ter sido candidato. As pessoas estão se identificando comigo, porque não querem aqueles que já foram candidatos. Tenho certeza de que nesta eleição vai haver uma mudança de 50 a 60%. 

Você fala na TV que fará um mandato voluntário. Como isso vai funcionar?

O salário que eu vou receber vai ser revertido ao hospital geriátrico do Jorge Cauhy, que está com a construção parada desde 2004, quando ele faleceu. Meu sonho é doar esse salário que eu receber para esse hospital. Eu sei que só ele não vai dar para cobrir esses gastos. Então eu vou fazer campanhas de arrecadação para terminar esse que vai ser o primeiro hospital geriátrico do País. Em seguida, vou fazer um projeto que expanda esse tipo de hospital e centros de recuperação do idoso para todo o Brasil. Não adianta ter só o hospital. Todo mundo adota criança, mas ninguém adota velho. As pessoas  mais judiadas no Brasil são as da terceira idade. Esse ano, quase quatro mil idosos sofreram maus tratos e a maioria foi vítima dos filhos e netos.

Como as pessoas têm recebido essa proposta de mandato voluntário?

As pessoas têm dito “ainda bem. Pelo menos existe algum deputado que quer abrir mão do salário e das empresas”. Estão recebendo bem. Eu era um candidato desconhecido. Quando eu entrei na coligação, muita gente achava que eu só entraria para fechar a nominata, mas já me vêem como alguém que têm chances de ser eleito.

Sua experiência de empresário vai ajudar como parlamentar?

Só chegar e representar o povo já me engrandece demais. Eu repassei minhas empresas aos sócios e familiares. Só de poder fazer leis para quem mais precisa já é muito interessante para mim. Quando você se candidata a alguma coisa e pensa em ganhar dinheiro, você está sendo leviano. Existem candidatos que dizem que vão representar o povo, mas na verdade só estão interessados nos salários e na verba de gabinete, pensando em se dar bem. No parlamento, no máximo 30% querem o melhor do País. O resto não está nem aí, quer que o Brasil se exploda.

O conhecimento de empresas ajuda nisso?

Na minha visão, o País está travado. Hoje, se eu quiser abrir uma empresa, a dificuldade é muito grande para tirar um alvará. Em 54 de Brasília, 60% das empresas não possui alvarás por falta de habite-se, até aquelas construídas nos anos 1960. O governo trava o governo e não poderia travar, porque o País tem que andar. A gente sabe que se forem criadas dificuldades, começamos a andar para trás.

A desburocratização é uma das suas propostas?

A pessoa que tem um CNPJ e um laudo do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil tem que receber o alvará de funcionamento imediatamente. O problema de habite-se é com o dono do prédio. Travar um alvará de funcionamento, deixar que a pessoa abra a loja e depois vir fechá-la por falta de habite-se é muito revoltante. Nós precisamos gerar emprego e riqueza e não travar o País. Outra bandeira que eu levanto é para as indústrias. Você compra a máquina, que vai gerar emprego, e precisa pagar imposto sobre ela. Para mim, esse imposto tem que ser retirado, para que o empresário possa ter dinheiro para fazer seu capital de giro.

Você tem um projeto de lei para substituir o candidato caso as propostas não sejam cumpridas. Como isso funcionaria?

Todo executivo, seja prefeito, governador ou presidente, teria dois anos para fazer aquilo que ele prometeu. No primeiro ano, ele arrumaria a casa e tem que começar a fazer no segundo ano. Se não começar a fazer, ele seria substituído automaticamente, pelo vice ou por outro. O que não pode acontecer é esperar os últimos anos para começar a enganar o povo. E, se não conseguir fazer em quatro anos o que prometeu, precisa ser suspenso, impedido de se candidatar por pelo menos oito anos. Ele registraria as promessas antes de ser eleito. O povo já está cansado de políticos. Eu consigo andar nas ruas, mas quem já foi eleito não tem coragem de andar nas ruas, colocam segurança para andar junto com ele. Os candidatos que tentam a reeleição só fazem reuniões dentro de casa e os cabos eleitorais é que vão para a rua. A minha desvantagem é que eles já tem grupos em torno. Uma outra coisa que é desumana é quando você trabalha contra a máquina. Hoje existem deputados que têm mais de 300 cargos no governo. São pessoas que trabalham de graça para o deputado, senador ou governador, sendo pagas pelo contribuinte. Isso existe hoje, existiu em eleições anteriores e há muito tempo. Você pode observar os comícios de candidatos da situação onde estão lá cabos eleitorais que ganham até R$ 10 mil por mês pagos pelo contribuinte. É uma desvantagem muito grande para os candidatos novos, que começam a trabalhar sem nenhuma estrutura. Algum projeto de lei tem que ser feito, para afastar essas pessoas do serviço público, indicadas por candidatos. Um ano antes elas deveriam ser afastadas. A gente fica pagando e eles trabalham contra a gente.

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