Millena Lopes
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Dono de organização social que pretende concorrer à gestão de unidades de saúde do DF, o médico e empresário Mohamad Moustafa foi preso pela Polícia Federal, acusado de desvios de dinheiro da saúde pública do Amazonas. Com uma rotina de baladas e viagens, ele investia em uma produtora de cantores sertanejos e era frequentemente visto nas festas do segmento, ao lado de mulheres famosas – ou quase isso, a exemplo da Mulher Melão. À campanha do governador Rodrigo Rollemberg, as empresas que ele controla doaram R$ 600 mil.
Os desvios seriam feitos por meio do Instituto Novos Caminhos (INC), que subcontrataria a Sociedade Integrada Médica do Amazonas (Simea), a Salvare Serviços Médicos e a Total Saúde Serviços Médicos e Enfermagem, que seriam todas controlados por Moustafa e fizeram doações à campanha de Rollemberg: a Total doou R$ 300 mil, enquanto a Simea e a Salvare, juntas, outros R$ 300 mil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.
A força-tarefa da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que o INC foi beneficiado ilicitamente com recursos dos Fundo Estadual de Saúde do Estado do Amazonas.
Entre abril de 2014 e dezembro de 2015, foram repassados ao INC mais de R$ 276 milhões. No entanto, foi constatado que a entidade recebeu ilegalmente R$ 153 milhões a mais para a gestão de 165 leitos de no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.
O INC pediu qualificação como organização social para atuar no DF, onde o governador pretende implementar a gestão por OSs.
Música sertaneja
Uma produtora de cantores sertanejos famosos – Jorge e Mateus, Guilherme e Santiago, Matheus e Kauan, Simone e Simária e Wesley Safadão – também foi alvo de busca e apreensão. Moustafa é investidor da empresa e poderia ter usado o dinheiro desviado para patrocinar os artistas. O empresário frequenta os shows e se relaciona com os cantores, conforme fotos postadas em redes sociais.
Organização criminosa já comprovada
Contrária à implementação de organizações sociais para gerir a saúde pública do DF, a sindicalista Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde, diz que, se o governador Rodrigo Rollemberg recebeu doações do dono das organizações sociais – que já foram qualificadas pela Secretaria de Planejamento do DF – ele está com o “rabo preso”.
“A quarteirização é o próximo passo da organização criminosa já comprovada”, dispara Marli, ao reafirmar que defende o concurso público, em detrimento do que chama de terceirização da saúde.
Nada a ver
Por meio da assessoria, o governador informou que não tem relações com as empresas citadas, tampouco com o médico preso. Disse que o Instituto Novos Caminhos pediu qualificação para atuar no DF, mas que o processo não foi finalizado. E afirmou desconhecer que as empresas que fizeram doações para a campanha tinham relação com o INC.