Beirute, recipe 7 jun (EFE).- O Líbano foi hoje às urnas para as eleições parlamentares num dia que transcorreu com tranquilidade, sem incidentes graves, e caracterizado por um grande comparecimento de eleitores aos colégios eleitorais, provocando a formação de longas filas.
Mais de três milhões de eleitores foram convocados para escolher 128 deputados, sendo 64 cristãos e 64 muçulmanos, entre 580 candidatos apresentados em todo o país.
Duas coalizões concentraram o embate eleitoral: as Forças de 14 de Março, grupo majoritário no Parlamento libanês e apoiado pelo Ocidente e pelos países árabes moderados, e as Forças de 8 de Março, lideradas pelo Hisbolá e respaldadas pela Síria e pelo Irã, entre outros.
Segundo os dados iniciais anunciados em entrevista coletiva pelo ministro do Interior, Ziad Barud, logo após o fechamento das urnas, a participação eleitoral foi de 52,36%.
Barud explicou que a jornada eleitoral foi um sucesso no qual cooperaram todas as forças políticas e agradeceu o trabalho dos observadores estrangeiros que zelaram pela neutralidade do pleito.
De acordo com o ministro, os resultados podem começar a ser divulgados a partir da 0h local, mas não devem vir a público até que as autoridades tenham a apuração definitiva.
A calma que reinou durante todo o dia surpreendeu inclusive o ministro da Informação libanês, Tareq Mitri. Em entrevista à Aagência Efe, ele disse que “tudo mudou em comparação com o ambiente que prevaleceu durante a campanha eleitoral”, marcada por insultos e difamações.
Para Mitri, independentemente dos resultados, “a situação não mudará de modo radical”, já que a diferença de votos entre as forças políticas será pequena, e descartou que haja “incidentes violentos” após o pleito.
Os cálculos iniciais indicam que a batalha no Parlamento libanês já está decidida na maioria das circunscrições devido ao peso indiscutível que as forças políticas têm em cada área. Apesar disso, a batalha deve ser dura nas regiões de maioria cristã.
Ao longo do dia, as ordens dadas pelas autoridades foram respeitadas de forma geral e foi possível observar uma grande animação nas áreas próximas aos colégios eleitorais, onde havia longas filas de eleitores.
O clima tranquilo do pleito libanês – bem diferente de edições anteriores – só foi perturbado pelas queixas dos eleitores em relação ao tempo de espera para votar.
Para manter a segurança, as autoridades do Líbano desdobraram 50 mil soldados e policiais por todo o país.
Alguns bairros de Beirute receberam uma presença em massa de militares apoiados por tanques.
Esta foi a primeira vez em que as eleições libanesas foram realizadas em um único dia e não em quatro domingos. O pleito foi supervisionado por mais de 200 observadores internacionais, sendo quase metade deles da União Europeia (UE).
Em declarações à Efe, o chefe dos observadores da UE, o eurodeputado José Ignacio Salafranca, disse que “em geral não houve incidentes graves. A jornada eleitoral transcorreu em paz”.
Segundo a agência nacional de notícias libanesa “ANN”, várias pessoas foram detidas por utilizar documentos de identidade falsos. EFE