O governador licenciado de Goiás e pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, apresentou nesta sexta-feira (28/8) suas principais apostas para a campanha de 2026 durante encontro com empresários fluminenses: segurança pública, educação, crítica fiscal ao governo Lula e defesa do fim da escala 6×1.
As declarações foram feitas no Rio pelo Brasil, evento promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro, Fecomércio RJ e Firjan, com foco em discutir propostas nacionais com demandas do estado. Caiado foi o primeiro presidenciável a participar da série de conversas.
Diante de representantes do comércio, dos serviços e da indústria, Caiado prometeu construir 40 presídios de segurança máxima, classificar facções criminosas como “terroristas domésticos” e criar uma estrutura nacional de inteligência para integrar informações sobre organizações criminosas. “Na segurança pública, repetiremos aquilo que fizemos em Goiás, vamos taxar as facções como terroristas domésticos, e, ao mesmo tempo, implantar 40 grandes penitenciários de segurança máxima”, afirmou.
O pré-candidato também defendeu o uso das Forças Armadas em ações de inteligência. Segundo ele, um eventual governo seu teria “um sistema de inteligência acoplado nos batalhões especializados” e um centro nacional para reunir dados fornecidos também pelos governadores.
Na educação, Caiado prometeu priorizar a alfabetização na idade certa, ampliar o ensino profissionalizante, acompanhar o desempenho dos estudantes e aplicar provas de proficiência no ensino superior. O pré-candidato criticou a aprovação automática e disse que não pretende “manipular dados do Ideb”.
Caiado apresentou a combinação de segurança e educação como base de sua plataforma. “Eu vou basear o meu governo em segurança e em educação, para vocês poderem dar atenção, olhar o Brasil e não quererem sair do país”, disse.
Embora o tema preocupe setores empresariais, Caiado voltou a defender o fim da escala 6×1. O pré-candidato, porém, atacou a condução política da pauta pelo governo Lula. “O que eu defendo é que uma decisão como essa não pode ser no apagar das luzes do governo envolvido em tanta corrupção”, declarou. Ele tenta se posicionar como favorável à mudança, mas sem romper com o empresariado, ao defender uma transição negociada e associada à geração de empregos.
Na saúde, Caiado propôs digitalizar filas de atendimento, regionalizar serviços e estimular procedimentos de maior complexidade, como cirurgias robóticas e por vídeo. Também defendeu maior produção de medicamentos no país. “Não é possível mais viver em um Brasil onde o número de mortes evitáveis acontece com distâncias de milhares ou de quase mil quilômetros entre o cidadão e o agente de saúde”, afirmou.
Na economia, Caiado acusou o governo Lula de praticar uma “gastança irresponsável” e responsabilizou a política fiscal pelos juros elevados. Ele prometeu entregar superávit de 1,5% do PIB no primeiro ano de governo, mas não detalhou quais medidas adotaria para alcançar o resultado.
O pré-candidato também criticou o Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas, classificando a iniciativa como uma “esperteza de agiota”. Caiado vinculou sua trajetória administrativa à promessa de eficiência, afirmando: “Não se aprende a governar na cadeira da Presidência. É preciso ter acumulado experiência e demonstrado respeito ao dinheiro público”.
Na pesquisa Quaest divulgada em 21 de agosto, Caiado aparece com 5% das intenções de voto. Durante o encontro, o pré-candidato apresentou um plano de governo dividido em 26 áreas, incluindo segurança, educação, saúde, emprego, conectividade e produção. Ao fim do evento, Caiado exibiu o filme de campanha previsto para estrear neste sábado no horário eleitoral.