Ronaldo Caiado (PSD) aproveitou a passagem pela bancada do Jornal Nacional para colocar uma das pautas mais explosivas da direita no centro de sua campanha presidencial. Nesta terça-feira (25), o ex-governador de Goiás prometeu conceder uma anistia “geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, incluindo Jair Bolsonaro (PL), caso chegue ao Palácio do Planalto. Para justificar a proposta, argumentou que o país precisa encerrar ciclos de confronto político e chegou a traçar um paralelo com a situação judicial de Lula (PT).
Na avaliação de Caiado, o perdão seria uma ferramenta de “pacificação” e seguiria uma tradição já vista em outros momentos da história brasileira. Foi nesse contexto que mencionou as decisões que beneficiaram Lula e permitiram ao petista voltar à disputa eleitoral. A comparação, entretanto, não é juridicamente equivalente: Lula não foi anistiado. Suas condenações na Lava Jato foram anuladas pelo STF em 2021, inicialmente porque a Corte concluiu que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os processos. Posteriormente, o Supremo reconheceu a parcialidade de Sergio Moro no caso do tríplex.
A anistia não foi a única bandeira levantada pelo candidato. Caiado prometeu uma emenda constitucional para limitar as despesas públicas a 50% do PIB, corrigidas pela inflação, mas reconheceu que ainda não apresentaria respostas detalhadas para algumas das mudanças econômicas de um eventual governo. Pressionado sobre aposentadorias, crédito e ajuste das contas públicas, respondeu que não tinha condições de entrar em “minúcias” naquele momento.
Na segurança, terreno que Caiado tenta transformar em uma das vitrines de sua candidatura, a proposta apresentada foi levar o combate ao crime para além das fronteiras brasileiras. Ele voltou a defender a criação da SulPol, uma estrutura de cooperação policial com países vizinhos inspirada na Europol, e acusou o governo Lula de não enfrentar adequadamente o narcotráfico. O candidato também buscou reforçar seu discurso democrático, afirmando que nunca colocou em dúvida resultados eleitorais.
Caiado guardou para o fim da entrevista outra provocação com potencial de atingir a campanha. Ele cobrou do STF a abertura dos sigilos das investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS, defendendo que eventuais informações relevantes sejam conhecidas antes de os brasileiros irem às urnas. Segundo o presidenciável, o objetivo é evitar que o eleitor seja “surpreendido” depois da eleição.
A sabatina ocorre em um momento no qual Caiado tenta romper a polarização que domina a corrida presidencial. No Datafolha citado no material, ele registra 5%, distante dos dois primeiros colocados: Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%. Renan Santos (Missão) tem 4%, Romeu Zema (Novo), 3%, e Augusto Cury (Avante), 2%. Depois de Zema e Caiado, o Jornal Nacional recebe Renan nesta quarta-feira (26), Lula na quinta (27), Flávio na sexta (28) e Cury no sábado (29).