O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje que o Brasil apresentará ao Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) uma proposta para regular os mercados financeiros mundiais, principalmente os de derivativos.
Os titulares de Economia e Finanças do G20 devem se reunir no mês que vem em Londres. Já os chefes de Estado do grupo participarão de uma cúpula nos dias 24 e 25 de setembro em Pittsburgh (Estados Unidos).
Mantega antecipou hoje em entrevista coletiva durante sua visita de dois dias a Washington que a proposta brasileira solicitará que “todas as operações no mercado de futuro sejam registradas”.
Além disso, o Governo brasileiro pedirá o estabelecimento de centros de compensação e liquidação similares aos que já existem em países como o Brasil e que obrigam o investidor a depositar uma garantia para cobrir suas operações com derivados.
“É como ter um seguro que dá maior solidez ao mercado”, explicou o ministro, que hoje discutiu essa e outras propostas com o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, com quem falou sobre os preparativos da cúpula do G20 em Pittsburgh.
Para Mantega, outro ponto importante da próxima reunião do G20 deveria ser a governabilidade do organismo, que reúne economias industrializadas e em desenvolvimento e que se transformou no principal fórum de coordenação da resposta à crise econômica e financeira global.
“Para que (o G20) possa se consolidar como instituição, é necessário que haja normas claras”, disse o ministro, ao defender que os líderes do grupo se reúnam pelo menos uma vez por ano e que haja três encontros anuais entre os titulares de Economia e Fazenda dos países-membros.
Seguindo o que ocorrerá este ano, Mantega sugere que duas dessas reuniões ocorram às vésperas do encontro semestral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, sendo que a terceira aconteceria antes da reunião dos chefes de Estado do G20.
Isso permitirá, em sua opinião, que as propostas “amadureçam com adiantamento” e que conflitos sejam evitados na reunião de líderes.
Além disso, o ministro disse considerar imprescindível “que se defina com clareza quem são os membros do G20”.
O grupo é integrado por Brasil, União Europeia (UE) e o Grupo dos Sete (G7, os sete países mais industrializados do mundo), além de Coreia do Sul, Argentina, Austrália, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia e Rússia, mas outros países já expressaram interesse em fazer parte do organismo em caráter permanente, como a Espanha.
Mantega evitou dizer hoje se respaldaria a entrada da Espanha e se limitou a falar que “o Brasil apoia a discussão de critérios. Nada melhor do que ter regras claras para impedir mal-entendidos de última hora”, ressaltou.
Além disso, insistiu na necessidade de reformar o FMI e o Banco Mundial, assuntou que debateu com Geithner e que em sua opinião também deveria ocupar um lugar destacado na agenda do G20.
“É preciso levar adiante a reforma das instituições de modo que já tenhamos consolidada a reforma de voz e voto no início de 2011”, apontou.
A citada reforma faria com que a estrutura das instituições refletisse melhor o atual papel econômico dos países em desenvolvimento. Tanto o FMI, quanto o Banco Mundial, foram criados ao final da Segunda Guerra Mundial e refletem em grande medida o mundo da época.