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Bolsonaro vê pouco empenho de ministros e cobra engajamento na disputa eleitoral

Ele também determinou aos auxiliares que defendam o governo como um todo -e não falem apenas sobre atribuições de suas respectivas pastas

Por FolhaPress 06/07/2022 9h06

Marinna Holanda e Matheus Teixeira
Brasília, DF

A três meses das eleições, o presidente Jair Bolsonaro (PL) cobrou, durante reunião nesta terça-feira (5), mais engajamento de seus ministros na disputa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O encontro no Palácio do Planalto teve clima de tensão e foi marcado pelas cobranças do chefe do Executivo. Segundo relatos feitos à reportagem sob reserva, Bolsonaro afirmou que é necessário haver mais empenho e um maior alinhamento no discurso dos integrantes da Esplanada.

Ele também determinou aos auxiliares que defendam o governo como um todo -e não falem apenas sobre atribuições de suas respectivas pastas.

No Planalto, existe a avaliação de que os novos ministros, que assumiram em abril quando os antecessores deixaram as pastas para se lançarem candidatos, têm se empenhado pouco em divulgar as ações do governo.

O diagnóstico tem sido apresentado e cobrado por membros da campanha de reeleição do presidente.
Bolsonaro está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. De acordo com o último Datafolha, Lula soma 19 pontos de vantagem, com 47% das intenções de voto contra 28% do mandatário.

Quando buscava os novos nomes para compor o primeiro escalão, o presidente chegou a ser alertado por pessoas próximas sobre o custo eleitoral da escolha de ministros menos expressivos. Bolsonaro priorizou quadros que já integravam os ministérios, como secretários. De acordo com auxiliares, em muitos casos os escolhidos não têm traquejo político nem experiência com eleições.

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O objetivo da campanha é usar realizações dos ministérios para melhorar a imagem do governo e alavancar o desempenho de Bolsonaro nas pesquisas. Para isso, na avaliação do Planalto, é necessário que os titulares de cada pasta reverberem com mais intensidade o trabalho do governo.

A cobrança por mais engajamento e maior participação dos ministros na campanha, no entanto, envolve riscos diante do período conhecido como defeso eleitoral.

No último dia 2, o governo entrou no período em que precisa respeitar uma série de regras da legislação eleitoral, como o veto à participação em inaugurações e à veiculação de publicidade institucional. O encontro no Planalto durou cerca de quatro horas e contou com a presença de dois nomes que estão hoje na campanha: Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação, e o general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e escolhido para ser vice na chapa de Bolsonaro.

Depois de deixar o Executivo no ano passado, Wajngarten voltou a Brasília recentemente e passou a coordenar a comunicação da campanha.

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Dentre as queixas, aliados citam que eles não são municiados com agendas positivas e entregas do governo federal para pensar formas de apresentá-las à população.

A expectativa é que, após a reunião ministerial desta terça, o diálogo entre integrantes do governo e da campanha flua melhor e facilite a divulgação de ações do Executivo.

Um dos pontos contestados por aliados que traçam as estratégias eleitorais do mandatário, por exemplo, diz respeito à agenda do presidente. Na visão deles, a escolha dos compromissos que terão a participação do presidente deveria estar sendo pautada pelo marketing da campanha, o que não tem ocorrido.

A reunião ocorre em meio a um cenário de pessimismo vivido por assessores de Bolsonaro. Depois de viverem um momento de euforia pela saída do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) da disputa presidencial e pelo impacto positivo do aumento do valor do Auxílio Brasil, Bolsonaro estagnou nas sondagens eleitorais e Lula se manteve na frente com uma diferença considerável de votos.

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Uma das medidas adotadas para ganhar popularidade é o apoio à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que autoriza a destinação de bilhões para caminhoneiros, taxistas e para o pagamento do Auxílio Brasil em ano eleitoral.

O texto institui um estado de emergência para permitir que Bolsonaro fure o teto de gastos e abra os cofres públicos. Críticos dizem que a PEC foi desenhada com propósitos eleitorais, para permitir uma reação do presidente nas pesquisas.

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