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Política & Poder

Bolsonaro cumpre pena em prédio da PF modernizado durante seu próprio governo

O local onde está custodiado carrega uma coincidência simbólica: na entrada do complexo há uma placa que registra a modernização da unidade durante o governo Bolsonaro, com seu nome gravado como presidente da República à época

João Victor Rodrigues

10/01/2026 9h36

Foto: reprodução/redes sociais

Preso desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena de 27 anos e três meses por liderar uma trama golpista.

Nos primeiros anos de mandato, Bolsonaro destinou recursos para a infraestrutura da Polícia Federal. A Superintendência Regional do Distrito Federal foi modernizada, e a inauguração das obras ficou registrada em uma placa metálica afixada na área externa do prédio. O objeto traz o brasão da República Federativa do Brasil e cita autoridades da época, incluindo Bolsonaro e seu então ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres — ambos posteriormente condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na trama golpista.

A placa lista os seguintes nomes:


“Presidente da República: Jair Messias Bolsonaro; Ministro da Justiça e Segurança Pública: Anderson Gustavo Torres; Diretor-Geral da Polícia Federal: Paulo Gustavo Maiurino; Diretor de Administração e Logística Policial: André Viana Andrade; Superintendente Regional: Márcio Nunes de Oliveira; Chefe do Setor de Administração e Logística Policial: Carlos Henrique da Silva Pereira”.

Localizada no Setor de Áreas Isoladas Sul (Sais), Quadra 7, Lote 23, a Superintendência da PF funciona como um dos principais polos operacionais da corporação no Distrito Federal. O complexo abriga setores administrativos, delegacias especializadas e áreas destinadas à custódia de presos de grande relevância pública.

Além de Bolsonaro e Anderson Torres, a lista de autoridades citadas na placa inclui Paulo Gustavo Maiurino, que assumiu a direção-geral da PF durante o governo Bolsonaro e foi exonerado em 2022, permanecendo atualmente apenas como servidor da instituição, e o então superintendente regional Márcio Nunes de Oliveira.

Investimentos milionários

Dentro do mesmo complexo funciona o Instituto Nacional de Criminalística (INC), onde Bolsonaro realizou exames recentemente. Entre 2020 e 2021, o local recebeu investimentos da ordem de R$ 75 milhões, destinados à ampliação da capacidade de análises laboratoriais, além da capacitação de peritos criminais e de profissionais das forças de segurança de todo o país.

Com extensa área arborizada e diversos edifícios, a Superintendência reúne estruturas voltadas a investigações de crimes complexos, questões migratórias, demandas diplomáticas e custódia de detentos. O espaço conta com celas comuns e Salas de Estado-Maior, modalidade em que Bolsonaro cumpre pena.

A Sala de Estado-Maior onde o ex-presidente está detido tem cerca de 12 metros quadrados e dispõe de cama de solteiro, frigobar, televisão convencional, banheiro privativo e ar-condicionado.

No complexo também funcionam delegacias especializadas, responsáveis por investigações de crimes fazendários, tráfico de drogas e delitos contra o patrimônio no âmbito do Distrito Federal.

Rotina sob custódia

A rotina de Bolsonaro na Superintendência inclui refeições enviadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, atendimento médico prestado por profissionais da própria Polícia Federal, banhos de sol de até duas horas diárias e visitas de familiares e advogados.

Recentemente, o ex-presidente precisou ser levado ao hospital DF Star, em Brasília, após sofrer uma queda durante a madrugada e bater a cabeça em um móvel dentro da cela. Ele havia passado por uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral em 25 de dezembro, com alta médica em 1º de janeiro. Após novos exames, Bolsonaro retornou à Superintendência da Polícia Federal na última quarta-feira (7/1).

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