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Política & Poder

Bancada evangélica abre uma guerra santa na política do DF

Arquivo Geral

10/04/2017 7h00

Foto: Myke Sena

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

A Câmara Legislativa e o Governo de Brasília podem estar prestes a declarar uma guerra santa no DF. Pelo menos oito deputados distritais da Casa, capitaneados pelo Bispo Renato Andrade (PR), acusam a Secretaria de Cultura de preterir os artistas gospel em eventos públicos desde o início do mandato. A gota d’água foi a programação do Aniversário de Brasília, divulgada na última semana, que não contemplou nenhum segmento religioso.

Bispo Renato fala até mesmo em implicar o secretário de Cultura, Guilherme Reis, em crime de improbidade administrativa, mas apenas em último caso. “Não fui eu que falou isso no plenário, mas é uma possibilidade. A discriminação também é crime tipificado na Lei Orgânica do DF. Por um lado, quando se olha pela lógica cristã, muitas vezes somos taxados de preconceituosos. Mas não podemos aceitar que, por termos cultura própria, sejamos discriminados pelo próprio Estado”, criticou o deputado.

Ele garantiu, no entanto, que após seu discurso e de outros parlamentares no plenário, na última quarta-feira, Reis entrou em contato por telefone. “Achei uma atitude elegante da parte dele”, reconheceu, mas sem aliviar para o lado da secretaria. “Eu reitero meu pronunciamento de que o segmento (gospel) tem sido preterido ao longo desses anos (de governo)”, esbravejou o distrital.

Atrações locais

Em regime de contenção de gastos, o Governo de Brasília anunciou investimento de R$ 265,4 mil para contemplar 29 atrações da cidade que devem tocar durante os dias de comemoração. Além deles, a cantora de ritmos nordestinos e de MPB, Elba Ramalho, foi anunciada como atração principal em 21 de abril, na abertura da festa.

No dia seguinte, o grupo de pagode Raça Negra se apresenta no palco montado na Torre de TV. Em 23 de abril, fechamento das comemorações, o violonista Renato Teixeira será o grande nome da noite.

Disputa vem dos tempos da lei orgânica

A disputa santa entre Câmara e Buriti se acirrou em dezembro de 2016, na votação da Lei Orgânica de Cultura. A Frente Parlamentar Evangélica, formada por nove deputados distritais, obstruiu o andamento do projeto e também criticou a atuação da pasta de Cultura. À época, o titular Guilherme Reis foi acusado de excluir os religiosos de “seus objetivos”.

Um dos argumentos dos evangélicos na Câmara é que, no governo Agnelo, havia um palco dedicado exclusivamente ao gospel em grandes eventos como o Aniversário de Brasília. Em 2014 foi o último ano que isso aconteceu. Desde que assumiu, o católico Rodrigo Rollemberg não facilita a vida dos artistas evangélicos, na avaliação da bancada.
Palco especial

“Quando falamos de cultura gospel, não falamos apenas de música, mas de teatro e de dança. Nenhuma manifestação cultural é tão intensa quanto o Morro da Capelinha, por exemplo, mas existe coisa parecida nos evangélicos que precisa ser observada”, ponderou Bispo Renato.

Ao que parece, essa disputa ainda vai exigir algumas cruzadas à Câmara para ser resolvida.

Posicionamento

A Secretaria de Cultura garantiu ter como premissa “o respeito à diversidade das manifestações culturais e artísticas, inclusive aquelas de natureza religiosa”. A pasta já havia se manifestado em outras ocasiões da mesma forma e afirma que tem mantido um “diálogo produtivo” com a Câmara. Confira anota na íntegra, abaixo:

“A Secretaria de Estado de Cultura do DF tem como premissa o respeito à diversidade das manifestações culturais e artísticas, inclusive aquelas de natureza religiosa. Assim, desde que assumiu em 2015, esta gestão vem se empenhando em fortalecer a pluralidade de vozes presentes no movimento cultural e artístico. Devemos ressaltar que o diálogo com o Legislativo tem sido muito produtivo, tanto nas tratativas da Lei Orgânica da Cultura (LOC) como na execução de emendas parlamentares, e feito abertamente inclusive no que tange ao segmento gospel e todas as demais manifestações culturais de matriz religiosa.”

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