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Política & Poder

Após lançar empresário ao Planalto, PRB pode buscar respaldo concorrendo também ao Buriti

Arquivo Geral

28/03/2018 7h00

Atualizada 27/03/2018 22h31

Flávio Rocha, que já disputou a presidência em 1994, pelo antigo PL, filiou-se agora ao PRB para concorrer mais uma vez, o que pode mexer com DF. Foto: Divulgação

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

O PRB filiou ontem o empresário Flávio Rocha, ex-deputado federal, e lançou sua pré-candidatura ao Planalto. Agora, palanques nos estados passarão a ser prioridade. No caso do Distrito Federal, a Frente Cristã, afiançada pelo partido, negocia alianças com PSDB e PDT, cujo projetos nacionais também incluem nomes para a Presidência da Republica, respectivamente Geraldo Alckmin e Ciro Gomes. Neste sentido, o grupo brasiliense busca a solução salomônica de palanques paralelos.

Hoje o PRB integra a Frente Cristã, formada também por PSD, PSDB, PSC, DC, PMN e Patriotas. O grupo traça planos para as proporcionais, mas projeta uma união majoritária, negociando com outras forças como PDT e PPS. Neste grupo, o presidente regional do PRB, Wanderley Tavares, é um potencial nome para o Buriti.

A chegada de Rocha fortalece o partido nos patamares nacionais e locais. Mesmo assim, Tavares elege como prioridade a consolidação da Frente Cristã. “Rocha terá palanque em Brasília, independentemente de quais cargos o PRB esteja disputando. Com a quantidade de pré-candidatos para a Presidência podemos trabalhar com múltiplos palanques”, argumentou, deixando claro que a candidatura do PRB ao Buriti não é uma imposição.

A Executiva Regional do PSD nutre postura semelhante, levantando inclusive a última eleição para o governo de São Paulo, o maior colégio eleitoral brasileiro. O então candidato Geraldo Alckmin apoiou Aécio Neves (PSDB), enquanto seu vice Márcio França (PSB), ficou com o falecido Eduardo Campos (PSB).

Pré-candidato ao Buriti e presidente regional do PSDB, o deputado Izalci Lucas também defende palanques simultâneos. “Temos que ter em mente que acima de tudo está Brasília. Podemos ter palanques paralelos, coordenados por cada partido”, comentou.

Segundo Lucas, o momento ainda é de pré-candidaturas. Ou seja, todos os nomes postos podem ainda mudar até as convenções nacionais, entre junho e julho. Consciente do potencial eleitoral, a Frente Cristã começou um movimento de blindagem contra intrigas de outros polos políticos.

Plano nacional pode mover o PSB

Os movimentos nacionais também geram ondulações nas águas locais do PSB. As negociações da Executiva Nacional para a filiação do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, também poderão influenciar os planos de reeleição do governador Rodrigo Rollemberg.

As negociações para a filiação seguem duas vertentes. Uma aponta para uma pré-candidatura para o Planalto, enquanto a outra sinaliza para o Governo do Rio de Janeiro. “A filiação é altamente provável. A candidatura para presidente não é tão real ainda. Depende de muitas deliberações”, disse o presidente regional do PSB, Tiago Coelho.

Hoje, no cenário concreto, o PSB tem flertado com Ciro Gomes. No caso da filiação de Barbosa, Coelho projeta um impacto positivo para Rollemberg, capaz de reaproximar o governador de partidos da centro-esquerda, como Rede, PV, Solidariedade, PPS e PHS.

Mesmo se o ex-ministro for um nome para o Planalto, Coelho vê chances de reaproximação com o PDT. “Se não for no 1º turno, é natural e coerente que iremos estar juntos no 2º turno”, ponderou.

Segundo Coelho, PSB e PDT deixaram de ser coadjuvantes do PT no DF. O afastamento atual é porque as duas agremiações buscam agora protagonismo próprio, mas continuam tendo afinidade ideológica. Por outro lado, neste jogo, com estas peças, o partido se afastaria ainda mais do PSDB.

Saiba mais

  • Dono da Riachuelo, o empresário Flávio Rocha, recém-filiado no PRB, é um nome neoliberal e conservador. Foi deputado duas vezes, uma pelo PFL e outra pelo PRN de Fernando Collor. Transferiu-se para o PL para disputar o Planalto, ficando em sétimo lugar.
  • A estratégia eleitoral do PRB também prima pela eleição massiva de deputados federais em todos os estados. Movimente semelhante é visto em outras agremiações.
  • Hoje a legislação eleitoral não impõem a verticalização das alianças nacionais e regionais. Tradução: coligações pelo Planalto não fecham legalmente as portas para composições locais distintas.
  • Tendo 131 deputados federais, a Frente Cristã tem aproximadamente 25% do tempo de televisão nas eleições. Além disso, o grupo apresenta grande capilaridade nas ruas em todas as regiões administrativas.

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