BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Ameaças a alunos levaram instituições de ensino superior a reforçar a segurança nesta semana, em meio a atos estudantis pela reeleição de Lula (PT).
O temor também chegou ao MEC (Ministério da Educação), que pediu atenção à PF (Polícia Federal).
Leonardo Barchini, titular da pasta, afirmou na última quinta-feira (8) que acionaria a área de crimes cibernéticos da corporação para investigar ameaças divulgadas nas redes sociais contra universidades.
Segundo ele, o governo recebeu relatos de estudantes, professores e reitores e teme que a violência aumente.
No Rio de Janeiro, a UFF (Universidade Federal Fluminense) encaminhou à PF mensagens sobre um possível ataque com chamas e agressões a participantes de um ato político. Também no estado, ameaças a estudantes da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense) foram registradas na Polícia Civil.
Em Minas Gerais, alunos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) relataram ameaças contra uma manifestação marcada para esta sexta-feira (9).
Os episódios ocorrem após o primeiro turno da disputa presidencial, realizado no domingo (4). Entidades estudantis passaram a organizar assembleias e manifestações em apoio a Lula, que enfrentará Flávio Bolsonaro (PL) no dia 25.
Em Niterói, a UFF enviou à PF capturas de mensagens trocadas em um grupo chamado “Juntos com Bolsonaro”, que não é um canal oficial da campanha do candidato. Um participante propôs uma lista para incendiar a universidade durante a madrugada. Outras mensagens falavam em agredir manifestantes e esfaquear uma liderança estudantil.
Nesta sexta, duas pessoas foram indiciadas.
A reitoria pediu reforço da segurança dos campi à Prefeitura de Niterói e intensificou a vigilância interna. Procurada pela reportagem na quinta, a PF não respondeu se havia aberto investigação.
Em Campos dos Goytacazes, o diretório municipal do PT e o Sindicato dos Petroleiros registraram um boletim de ocorrência após a circulação de mensagens em um grupo de WhatsApp chamado “Campistas com Bolsonaro”. Segundo os denunciantes, elas mencionavam agressões a estudantes de esquerda e o uso de explosivos nas dependências da UENF, especialmente no restaurante universitário.
A Polícia Civil informou que ouvirá as partes. A reitoria anunciou apuração interna e medidas para proteger a comunidade acadêmica.
Na UFMG, alunos de direito afirmam ter recebido mensagens e um áudio com ameaças de agressões, furtos e roubos durante um ato previsto para a tarde desta sexta, em Belo Horizonte. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio. Os conteúdos teriam circulado em grupos com nomes contrários à candidatura de Lula; sua autoria ainda não foi estabelecida.
Ainda em Minas, estudantes da Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) convocaram uma assembleia para esta sexta. Após isso, um aluno da instituição relatou ter recebido uma ameaça de morte após divulgar um vídeo sobre a eleição e disse ter registrado um boletim de ocorrência.
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Mensagens violentas em um grupo de aplicativo também foram denunciadas à PF pelo IFMG (Instituto Federal de Minas Gerais).
As ameaças não se restringem a universidades públicas. No Mackenzie, em São Paulo, um grupo intitulado Caça aos Comunistas se mobilizou contra uma manifestação realizada na rua Maria Antônia, onde fica a instituição, na noite de quinta-feira.
Vestidos com camisas da seleção brasileira, o grupo se envolveu em discussões com alunos pró-Lula. Houve tentativas de agressão física. A polícia interveio.
A UEL (Universidade Estadual de Londrina), no Paraná, disse na quinta ter elaborado um plano de contingência para proteger pessoas e o patrimônio do campus após tomar conhecimento de mensagens divulgadas em grupos de WhatsApp. O texto falava em “jogar bomba na manifestação do PT na UEL”.
A reitoria afirmou que manifestações pacíficas de diferentes correntes políticas são permitidas em seus espaços.
Nem todos os casos ficaram na ameaça. Em Sergipe, um ato de estudantes em apoio a Lula, em frente à UFS (Universidade Federal de Sergipe), foi interrompido na noite de quinta, após um policial militar de folga aparecer armado, segundo relatos de participantes.
A Secretaria da Segurança Pública do estado identificou o agente, recolheu sua arma e disse que ele seria afastado das atividades de rua. Há relatos de disparos, cuja ocorrência ainda é apurada. Ninguém ficou ferido.
Já na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), houve tumulto após uma invasão de pessoas ligadas ao MBL (Movimento Brasil Livre). Alunos dizem ter sofrido intimidações. O Ministério Público Federal instaurou um procedimento nesta quinta para investigar o caso.
Na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), o reitor Alfredo Macedo Gomes também pediu à PF que investigasse mensagens com ameaças à comunidade acadêmica. A polícia apura, em outra frente, as causas do incêndio que destruiu laboratórios da universidade na quarta-feira (7). Até agora, não há conclusão de que o fogo tenha sido provocado nem vínculo demonstrado entre o incêndio e as ameaças.