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Política & Poder

Ambientalistas destacam queda no desmatamento da Mata Atlântica

Dados de entidades ambientais apontam redução histórica no desmate do bioma, mas especialistas alertam para projetos em tramitação que podem enfraquecer proteções legais.

Redação Jornal de Brasília

19/05/2026 23h58

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Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias

Ambientalistas destacaram, em audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, a queda histórica no desmatamento da Mata Atlântica, mas alertaram para o que classificam como ameaças legislativas ao bioma. O debate ocorreu nesta terça-feira (19), em meio à chamada “Semana do Agro”, período em que o Plenário analisa projetos de lei de interesse do agronegócio.

Segundo estudos da Fundação SOS Mata Atlântica e do MapBiomas, o desmatamento no bioma caiu 28% entre 2024 e 2025, passando de 53,3 mil para 38,3 mil hectares. No acumulado dos últimos dois anos, a redução chegou a 47%. O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde 1985, também apontou uma redução histórica de 40% na supressão de vegetação nativa das áreas florestais.

O diretor da SOS Mata Atlântica, Luiz Fernando Pinto, afirmou que a taxa anual de desmatamento ficou pela primeira vez abaixo de 10 mil hectares em 40 anos de monitoramento. Ele avaliou que, se a redução anual seguir no ritmo de 20% a 30%, a Mata Atlântica poderá ser o primeiro bioma do país a alcançar o desmatamento zero antes de 2030.

Entre os fatores citados para a queda estão a restrição de crédito para desmatadores ilegais, a fiscalização mais rigorosa e a aplicação de políticas públicas. Luiz Fernando Pinto também destacou a Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/06), que completará 20 anos de vigência em dezembro, como um dos instrumentos associados à redução do desmatamento.

Apesar dos números positivos, os participantes do debate apontaram risco de retrocessos com o chamado “pacote da destruição”, conjunto de projetos em tramitação no Congresso. Um deles, o PL 364/19, já foi aprovado pela Câmara e, segundo a diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, flexibiliza proteções aos campos de altitude, inclusive na Lei da Mata Atlântica.

Organizador da audiência e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) criticou dez projetos de lei incluídos na pauta da “Semana do Agro”, entre eles propostas sobre redução de Florestas Nacionais, flexibilização da fiscalização ambiental e expansão de plantações de eucaliptos. Para ele, os avanços registrados no bioma convivem com uma ameaça permanente de retrocesso.

Os debatedores também lembraram que a Mata Atlântica é o bioma mais devastado do Brasil, com apenas 24% da vegetação nativa e 12% de suas florestas remanescentes. Os fragmentos estão distribuídos por 17 estados que abrigam 70% da população e 80% do PIB nacional.

Segundo dados citados no debate, o bioma concentra 80% dos alertas e ocorrências de desastres naturais, em razão principalmente da ocupação desordenada. A urbanização cresceu 133% entre 1985 e 2024, e Júlio Pedrassoli, do MapBiomas, afirmou que 25% da expansão urbana brasileira ocorreu em áreas classificadas como de segurança hídrica, afetando 1.325 municípios. O Rio de Janeiro lidera esse indicador, com crescimento de 7,6 mil hectares na ocupação dessas áreas.

Como caminho para enfrentar o problema, especialistas defenderam a restauração de fragmentos florestais, sobretudo em regiões densamente povoadas. Eles também ressaltaram a importância do bioma para a adaptação às mudanças climáticas. O Dia Nacional da Mata Atlântica, em 27 de maio, será comemorado com sessão solene no Plenário da Câmara.

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