Reportagem publicada na revista Época desta semana complica as pretensões políticas do senador Agnelo Queiroz (PT-DF), um dos principais candidatos ao Governo do Distrito Federal. O texto traz informações sobre investigação da Policia Civil do DF sobre desvios de recursos do programa governamental Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, ocorridos à época em que Agnelo era o ministro.
Na Operação Shaolin, deflagrada no início de abril, a Polícia Civil levou cinco pessoas à prisão, recolheu documentos e tomou depoimentos sobre os quase R$ 3 milhões repassados pelo Ministério do Esporte a duas associações de Kung Fu do DF: a Federação Brasiliense de Kung Fu (Febrak) e a Associação João Dias de Kung Fu.
O delegado responsável pela investigação, Giancarlos Zuliani Junior, sugere que Agnelo teria se valido da condição de ex-ministro do Esporte “para se beneficiar de um suposto esquema de desvios de recursos pertencentes a associações que receberam verbas do Programa Segundo Tempo”, afirma o documento a que Época teve acesso.
Notas falsas
João Dias (PCdoB) é suplente de distrital e presidente das associações. Ele chegou a ser preso temporariamente na deflagração da operação. Segundo as investigações, as associações teriam se apropriado indevidamente de R$ 2 milhões por meio de convênios com o Ministério, sem prestar os serviços combinados.
As Organizações Não-Governamentais (ONGs) agiam forjando a compra de equipamentos relacionados com a prática da atividade milenar, como quimonos, varetas, jogos, alimentos. Isso teria sido feito com a ajuda de empresas que forneciam notas fiscais frias, pelas quais cobravam 17% do valor para a emissão, com o objetivo de driblar a fiscalização.
Segundo as investigações, foi por intermédio deste esquema que João Dias teria levantado um montante de R$ 850 mil utilizados na compra de uma casa localizada nos arredores de Brasília. O dinheiro ainda teria sido utilizado, segundo a matéria de Época, na construção de dois centros para a prática do Kug Fu e para o financiamento da campanha política de Dias em 2006, para deputado distrital.
O pior complicador para Agnelo, no entanto, veio com o surgimento de uma testemunha, cujo nome está sendo mantido em sigilo pela investigação, que teria dito ao delegado responsável pelo caso que sacou o equivalente a R$ 335 mil em uma agência do Banco de Brasília (BRB) entre os dias 7 e 8 de agosto de 2007, dos quais R$ 256 mil foram colocados em uma mochila e entregues para Agnelo Queiroz.