O Senado deve se concentrar numa profunda reforma gerencial e administrativa em vez de se dedicar apenas à tentativa de afastar o presidente da Casa, illness disse hoje (28) o governador de Minas Gerais, more about Aécio Neves. Ele evitou afirmar se apoia a renúncia de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado, mas defendeu a necessidade de mudanças no modelo de gestão do Poder Legislativo.
“Este é um momento crucial para o Senado se oxigenar e se renovar. Isso é muito mais importante que se deter apenas na situação de um senador”, afirmou Aécio após reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Para o governador mineiro, o Senado agiu tarde demais para reformular a administração interna. “Quando fui presidente da Câmara [em 2001 e 2002], constatei que o modelo gerencial da Casa tinha se exaurido e tomei uma série de medidas que tornaram a gestão mais moderna e transparente”, destacou. “O Senado está com pelo menos dez anos de atraso.”
Aécio não comentou se a resistência do governo ao afastamento de Sarney está relacionada ao fato de que o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), companheiro de partido de Aécio, passaria a conduzir a presidência do Senado. “Perillo tem condições de conduzir o Senado com absoluta isenção, mas isso não significa que eu defenda o afastamento de Sarney”, afirmou o governador.
Pré-candidato à Presidência da República em 2010 pelo PSDB, Aécio disse ainda que as prévias devem ser feitas sem traumas. Ele disse que viajará a vários estados para acompanhar o recadastramento dos filiados ao partido. O processo se encerrará antes das prévias, previstas para o início do próximo ano.
O governador mineiro confirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará o reajuste do Bolsa Família em Belo Horizonte. Aécio, no entanto, não soube dizer de quanto será o aumento, que entrará em vigor em setembro. “O presidente Lula é sempre benvindo em Minas Gerais e serei um bom anfitrião, honrando a boa hospitalidade mineira”, destacou.
Aécio, no entanto, afirmou que o governo deve ter cuidado para que o reajuste não comprometa os demais programas do governo em meio a um cenário de queda na arrecadação e aumento de despesas. “O Bolsa Família é um instrumento importante de distribuição de renda e espero que o governo federal tenha fonte de recursos suficientes para garantir o reajuste sem prejuízo de outros programas”, comentou.
O ministro da Fazenda e o governador discutiram a ampliação do limite de endividamento de Minas Gerais. Segundo Aécio, o Tesouro Nacional prometeu, em até duas semanas, formalizar a ampliação do teto em R$ 1 bilhão para que o estado possa contrair empréstimos do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
De acordo com o governador, a crise econômica fez o estado perder R$ 1,3 bilhão de receitas em 2009 em relação ao previsto no início do ano. “A crise reduziu o recolhimento principalmente de setores exportadores, como minério e siderurgia”, declarou Aécio. Essa perda, segundo ele, deve ser suprida com a ampliação do limite de endividamento e a recuperação da economia nos próximos meses.