A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira (29) um laudo pericial particular que aponta modificações em arquivos do celular do ex-banqueiro após a apreensão do aparelho pela Polícia Federal. O documento afirma que 657 arquivos foram alterados e 436 foram criados depois que o dispositivo passou para a custódia das autoridades.
Os advogados de Vorcaro sustentam que as alterações comprometem a integridade da prova, que é central nas investigações sobre suas relações com políticos e supostas irregularidades no Banco Regional de Brasília (BRB). Para a defesa, não é mais possível verificar o conteúdo original do celular apreendido em novembro de 2025.
“É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado”, declararam os advogados. Eles pediram ao STF que a PF entregue os dados originais do aparelho para verificação.
Com base no laudo, a defesa argumenta que a soltura de Vorcaro é obrigatória. O ex-banqueiro está preso há mais de oito meses e, segundo seus advogados, não há contra ele uma acusação formal. “É inconcebível que Daniel Vorcaro esteja custodiado há mais oito meses, com a liberdade restringida há quase um ano, sem que haja contra ele qualquer acusação formal ou perspectiva de processo”, afirmaram.
O indiciamento de Vorcaro e de outros 14 investigados na Operação Compliance pela Polícia Federal ocorreu na quarta-feira (28). A PF acusou o ex-banqueiro de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O relatório policial afirma que ele teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” em operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causariam prejuízos ao BRB.
Em resposta ao indiciamento, a defesa de Vorcaro negou que as operações tenham gerado prejuízo ao banco público. Os advogados afirmaram que a PF se “limita a repetir a mesma narrativa” e que as carteiras de crédito foram substituídas por outros ativos em uma troca que gerou resultados positivos para o BRB. Eles ressaltaram que nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo.