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Política & Poder

Advogado era ‘hub financeiro’ de Weverton Rocha e comprou mansão de R$ 6 mi usada por senador, diz PF

De acordo com a corporação, Tomaz era o “hub financeiro, patrimonial e logístico” do parlamentar, investigado no âmbito da Operação Sem Desconto

Redação Jornal de Brasília

04/08/2026 13h12

LUÍSA MARTINS E RAQUEL LOPES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Uma empresa do advogado Willer Tomaz foi a responsável por comprar a mansão de R$ 6 milhões apontada como residência do senador Weverton Rocha (PDT-MA), segundo investigações da PF (Polícia Federal).

De acordo com a corporação, Tomaz era o “hub financeiro, patrimonial e logístico” do parlamentar, investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes nas aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A PF também aponta que a mulher de Weverton, Samya Rocha, teria recebido valores superiores a R$ 11 milhões de empresas relacionadas ao advogado.

Os achados da investigação constam na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou uma nova fase da operação nesta terça-feira (4).

Os principais alvos são Tomaz e parentes do senador, que já foi alvo em dezembro do ano passado. Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.

O advogado Willer Tomaz disse, por nota, que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido na manhã desta terça decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público.

Disse ainda que a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. “Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, disse seu advogado, em nota.

O senador foi procurado na manhã desta terça, mas ainda não se manifestou.

Willer Tomaz mantém relações com parlamentares de diferentes espectros políticos. Embora seja conhecido pela proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também tem interlocução com integrantes da base do governo Lula (PT).

O advogado é sócio do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, que atuou como advogado da última campanha presidencial de Lula. Ele também defendeu o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) em processos nos tribunais superiores.

Nos bastidores de Brasília, Willer é conhecido por ostentar influência política e trânsito entre ministros de tribunais superiores.

Ele foi um dos principais articuladores da tentativa de indicação do então procurador-geral da República, Augusto Aras, para a segunda vaga aberta no STF durante o governo Jair Bolsonaro.

O plano, porém, não prosperou, e Bolsonaro acabou indicando André Mendonça, após afirmar que escolheria um ministro “terrivelmente evangélico”.

Posteriormente, Willer passou a figurar entre os principais cotados para uma vaga no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) destinada à indicação da Câmara dos Deputados. Diante da repercussão em torno de seu nome, desistiu da disputa.

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