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Política & Poder

A um só passo da cassação

Arquivo Geral

22/08/2013 8h00

Como esperado, o relatório do distrital Joe Valle (PSB), apresentado ontem na Comissão de Ética, pediu a cassação do deputado Raad Massouh (PPL) acusado de quebra de decoro. Após consulta do presidente Doutor Michel (PEN), os membros da Comissão decidiram  votar ontem mesmo o envio do processo ao Plenário.

 

Foi aprovado pelo placar de quatro votos a favor e uma abstenção, por parte de Olair Francisco (PTdoB).

 

Lista de acusações

 

Raad foi acusado de quebra de decoro, formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. O processo vai agora à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que terá até cinco sessões para analisar os aspectos técnicos do processo e enviá-lo ao Plenário da Câmara.

 

Iniciando a leitura pela conclusão, Joe Valle declarou que Raad sabia do desvio de R$ 100 mil e participou  dele por meio da MCM Produções Ltda. que teria sido criada apenas seis dias antes do primeiro contrato — pago  com verbas destinadas pelo deputado — com a Administração de Sobradinho.

 

Dinheiro para aliada

 

De acordo com as provas do relator, R$ 47 mil teriam ido para Maria Inês, ex-presidente do Sindicato de Turismo Rural de Sobradinho (Ruraltur), que trabalhou com Raad em seu gabinete e na Secretaria de Micro e Pequena Empresa.

 

Para o relator, a indicação do ex-administrador Carlos Augusto Barros para o cargo logo antes da manobra com verbas demonstra que não era ele que comandava o esquema — mas o próprio Raad Massouh.

 

Denúncia de extorsão dá conflito

 

O clima tenso que a Câmara já vivia foi agravado pela manhã, quando Raad foi a Polícia Civil para denunciar  tentativa de extorsão feita por um pastor de Sobradinho, Eliseu José dos Santos. Ele  disse que teria como abrandar os distritais  Doutor Michel, Agaciel Maia e o relator Joe Valle.

 

O religioso, gravado pelo parlamentar, teria pedido R$ 2,7 milhões para que os deputados votassem contra o encaminhamento do processo ao Plenário. 

 

Acusação: é manobra

 

Os três deputados negaram qualquer envolvimento e tornaram claro  que acreditam ter sido  manobra do acusado. “Esse pastor vai queimar no inferno. Ele tem é que tomar um pau. Se o senhor, deputado Raad, tivesse me chamado, eu mesmo teria ido com o senhor àa polícia, que lugar de bandido é na cadeia”, defendeu-se Doutor Michel.

 

O próprio Raad diz não acreditar que os parlamentares sejam os responsáveis pela extorsão. Críticas ao relatório e a ação de Raad  irritaram  Joe Valle, que atacou: “Por essas coisas dizem que deputado é bandido. Basta desse modelo de clientelismo”.

 

Passo a passo

 

1 – A partir de agora, o processo de Raad Massouh segue para a CCJ da Casa, apenas para análise técnica.

 

2 – O presidente da CCJ deputado Chico Leite (PT) convocou para hoje uma reunião extraordinária, para às 10h30 para sortear o relator.

 

3 – A CCJ tem até cinco sessões para dar o parecer do caso. A  a análise poderá demorar até cinco sessões.

 

4 – A palavra final será dada pelos 24 distritais.

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