Como esperado, o relatório do distrital Joe Valle (PSB), apresentado ontem na Comissão de Ética, pediu a cassação do deputado Raad Massouh (PPL) acusado de quebra de decoro. Após consulta do presidente Doutor Michel (PEN), os membros da Comissão decidiram votar ontem mesmo o envio do processo ao Plenário.
Foi aprovado pelo placar de quatro votos a favor e uma abstenção, por parte de Olair Francisco (PTdoB).
Lista de acusações
Raad foi acusado de quebra de decoro, formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. O processo vai agora à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que terá até cinco sessões para analisar os aspectos técnicos do processo e enviá-lo ao Plenário da Câmara.
Iniciando a leitura pela conclusão, Joe Valle declarou que Raad sabia do desvio de R$ 100 mil e participou dele por meio da MCM Produções Ltda. que teria sido criada apenas seis dias antes do primeiro contrato — pago com verbas destinadas pelo deputado — com a Administração de Sobradinho.
Dinheiro para aliada
De acordo com as provas do relator, R$ 47 mil teriam ido para Maria Inês, ex-presidente do Sindicato de Turismo Rural de Sobradinho (Ruraltur), que trabalhou com Raad em seu gabinete e na Secretaria de Micro e Pequena Empresa.
Para o relator, a indicação do ex-administrador Carlos Augusto Barros para o cargo logo antes da manobra com verbas demonstra que não era ele que comandava o esquema — mas o próprio Raad Massouh.
Denúncia de extorsão dá conflito
O clima tenso que a Câmara já vivia foi agravado pela manhã, quando Raad foi a Polícia Civil para denunciar tentativa de extorsão feita por um pastor de Sobradinho, Eliseu José dos Santos. Ele disse que teria como abrandar os distritais Doutor Michel, Agaciel Maia e o relator Joe Valle.
O religioso, gravado pelo parlamentar, teria pedido R$ 2,7 milhões para que os deputados votassem contra o encaminhamento do processo ao Plenário.
Acusação: é manobra
Os três deputados negaram qualquer envolvimento e tornaram claro que acreditam ter sido manobra do acusado. “Esse pastor vai queimar no inferno. Ele tem é que tomar um pau. Se o senhor, deputado Raad, tivesse me chamado, eu mesmo teria ido com o senhor àa polícia, que lugar de bandido é na cadeia”, defendeu-se Doutor Michel.
O próprio Raad diz não acreditar que os parlamentares sejam os responsáveis pela extorsão. Críticas ao relatório e a ação de Raad irritaram Joe Valle, que atacou: “Por essas coisas dizem que deputado é bandido. Basta desse modelo de clientelismo”.
Passo a passo
1 – A partir de agora, o processo de Raad Massouh segue para a CCJ da Casa, apenas para análise técnica.
2 – O presidente da CCJ deputado Chico Leite (PT) convocou para hoje uma reunião extraordinária, para às 10h30 para sortear o relator.
3 – A CCJ tem até cinco sessões para dar o parecer do caso. A a análise poderá demorar até cinco sessões.
4 – A palavra final será dada pelos 24 distritais.