SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O presidente Volodimir Zelenski anunciou nesta sexta (25) que os negociadores da Ucrânia e da Rússia começaram a discutir a possibilidade de uma reunião com Vladimir Putin. O Kremlin afirmou, no entanto, que uma cúpula entre os presidentes só poderia acontecer como passo final para selar um acordo de paz.
“Precisamos acabar com esta guerra, o que provavelmente começará com um encontro entre os líderes”, afirmou o presidente ucraniano.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, esfriou rapidamente as expectativas, dizendo ser “pouco provável” que tal encontro aconteça até o fim de agosto. “Uma reunião de cúpula pode e deve colocar o ponto final em um acordo e consolidar as modalidades e os entendimentos elaborados pelos especialistas. Agora, é possível realizar um processo tão complexo em 30 dias? Está claro que isso parece pouco provável”, disse.
Um dos negociadores ucranianos afirmou, após a mais recente e breve rodada de negociações de paz entre os dois países na quarta (23), que Kiev propôs uma reunião entre Putin e Zelenski em agosto por estar dentro do ultimato de 50 dias estipulado na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a conclusão de um acordo.
Trump ameaçou aplicar novas sanções à Rússia e também a países que continuam comprando suas exportações, caso um cessar-fogo não seja firmado até o início de setembro -o que inclui aliados do Kremlin no Brics, como China, Índia e Brasil.
A ameaça, no entanto, tem sido recebida com ceticismo em Moscou. Pessoas próximas ao Kremlin apontam que o prazo dado por Trump seria “convenientemente dilatado” e destacam o ritmo lento da ajuda militar americana à Ucrânia -que, no momento, depende mais fortemente do apoio dos países europeus da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos EUA.
Com as negociações ainda paralisadas, um dos poucos avanços foi o início de uma nova rodada de troca de prisioneiros -desta vez incluindo também civis. Cerca de 1.200 pessoas foram libertadas na quarta.
Diante do impasse, Peskov reiterou que as posições de Moscou e Kiev são “diametralmente opostas” e que uma reconciliação exigirá “trabalho diplomático muito complexo”.
Enquanto a Rússia condiciona qualquer cúpula à retirada ucraniana de regiões ocupadas e ao fim da ajuda ocidental, Kiev insiste para que o encontro entre os líderes seja o ponto de partida a um cessar-fogo imediato de 30 dias monitorado pelos EUA -condição rejeitada pelo Kremlin, que recusa o envolvimento direto de Washington.