O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya voltará neste sábado a seu país, 16 meses depois de deixá-lo com um salvo-conduto rumo à República Dominicana e quase dois anos após sua derrocada por um golpe militar.
Zelaya, de 58 anos, chegará em um voo particular ao Aeroporto Internacional de Toncontín, procedente da Nicarágua, acompanhado pelo presidente desse país, Daniel Ortega, e vários ex-funcionarios de seu antigo Governo, disseram à Agência Efe dirigentes da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP).
O diretor da Polícia Nacional, José Luis Muñoz, e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general René Osorio, garantiram, em declarações separadas, a segurança necessária ao ex-presidente tanto em sua chegada como durante sua permanência no país.
Zelaya deixou Honduras junto com o presidente dominicano, Leonel Fernández, em 27 de janeiro de 2010, mesmo dia em que Porfirio Lobo, do Partido Nacional, assumiu a Presidência e assinou o salvo-conduto para que Zelaya viajasse à ilha caribenha.
Esse fato encerrou o longo período de clausura do ex-presidente na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde estava refugiado desde setembro de 2009 após ingressar clandestinamente em Honduras.
Zelaya tinha sido expulso para a Costa Rica após sua derrota em 28 de junho de 2009, quando ignorou impedimentos legais e promoveu uma consulta popular para reformar a Constituição.
Na República Dominicana, onde esteve na condição de “hóspede distinto”, Zelaya visitou vários países latino-americanos e a Organização dos Estados Americanos (OEA) para exigir sua restituição, mas não alcançou seu objetivo, apesar das fortes pressões internacionais sobre o Governo de Roberto Micheletti.
Micheletti era o presidente do Congresso Nacional, poder que o designou como governante por sete meses antes da posse de Porfirio Lobo.
O retorno de Zelaya se concretizará graças ao acordo que ele assinou com Lobo no domingo passado na cidade colombiana de Cartagena, fruto da mediação dos presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e da Venezuela, Hugo Chávez.
O Acordo de Cartagena também abriu o caminho para que Honduras se reintegre à OEA, que suspendeu o país pela não-restituição de Zelaya, e outros organismos regionais de onde tinha sido afastado.
A OEA convocou uma Assembleia Extraordinária para o dia 1º de junho para discutir o reingresso de Honduras.
A assinatura do acordo foi facilitada pela anulação, no dia 2 de maio, dos dois processos por corrupção que o Ministério Público tinha iniciado contra Zelaya, resolução exigida por vários países para apoiar o retorno de Honduras à OEA.