Rasel Tomé, um dos mais próximos colaboradores de Zelaya, disse a jornalistas que o presidente deposto pediu em carta aos governantes “o não reconhecimento da fraude eleitoral e sua cooperação para que não fique impune este golpe de Estado militar e suas sangrentas violações aos direitos humanos”.
Honduras realizou no domingo passado eleições gerais sem o respaldo de grande parte da comunidade internacional por considerar que aconteceram em um marco de ruptura da ordem constitucional, após o golpe de Estado contra Zelaya.
Do pleito, saiu vencedor o candidato do opositor Partido Nacional de Honduras, Porfirio Lobo, e sua vitória foi reconhecida por Estados Unidos, Colômbia, Peru e Panamá.
Na carta, datada e enviada ontem, segundo Tomé, Zelaya agradece o “inestimável apoio e respaldo manifestado” pelos presidentes da América, que majoritariamente não reconhecem o pleito.
“Legitimar os golpes de Estado por meio de processos eleitorais espúrios divide e não contribui para a unidade das nações da América”, disse Zelaya.
O presidente deposto denunciou que, com “as espúrias e ilegais eleições”, ficam “impunes” as instituições que apoiaram o golpe de Estado e a tutela do “timo eleitoral” pelo Governo de fato, e assinalou a falta de observadores qualificados de organismos internacionais para a supervisão do processo.
Além disso, afirmou que a abstenção superou 60% do censo e que foram cometidas “violações aos direitos humanos”.