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Mundo

YouTube derruba canal que viralizou com animações pró-Irã no estilo Lego

Redação Jornal de Brasília

16/04/2026 8h48

Reprodução/@ExplosiveMediaa

Andrei Ribeiro
Folhapress


A Explosive Media, página pró-Irã que viralizou nos últimos meses com animações no estilo Lego sobre a guerra no Oriente Médio e zombando de Donald Trump teve o canal suspenso no YouTube.

A plataforma da Google afirma que a página teria violado suas regras contra spam, práticas enganosas e golpes, de acordo com a AFP, mas não especificou quais conteúdos teriam motivado a ação. A suspensão aconteceu em 27 de março.

Perfis do grupo em outras redes sociais continuam no ar — como no X, que reúne sua maior audiência, de 60 mil seguidores.

As produções geradas por inteligência artificial que imitam a estética dos brinquedos se tornaram o formato mais popular de propaganda de guerra do Irã na internet até então, nesse conflito em que as redes sociais se consolidaram como frente de batalha.

Enquanto perfis do governo americano distribuem imagens de “Call of Duty” exaltando bombardeios, os vídeos da produtora funcionam como pequenos filmes roteirizados que retratam, em geral, o Irã como vítima da opressão dos EUA e de Israel.

Donald Trump é o alvo preferencial das histórias e aparece, ora como uma marionete instigada a entrar na guerra pelo “diabólico” primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ora como alguém desesperado para desviar a atenção dos vínculos com Jeffrey Epstein, financista condenado por abuso sexual.

O republicano também costuma ser representado como um líder mentalmente incapaz ou covarde sob pressão — a expressão popular nas redes TACO (‘Trump Sempre Arrega’), que zomba dos recuos de Trump, é bastante explorada.

Outros materiais fustigam temas caros para os americanos, como o assassinato de George Floyd ou fazem ameaças ao países do Golfo aliados dos americanos.

As legendas e trilhas sonoras em inglês — com letras também geradas por IA carregadas de mensagens políticas — ajudaram a viralizar os conteúdos entre o público ocidental. Nos EUA, a página ganhou na destaque na imprensa e ativistas do “No Kings”, movimento que levou milhares às ruas dos EUA contra Trump, passaram a compartilhar os vídeos em seus perfis, segundo a revista New Yorker.

A identidade do Explosive Media é obscura e suscita rumores de ligações com o regime iraniano. Em entrevistas, o grupo evita revelar a identidade dos seus integrantes, mas se descreve como uma equipe de estudantes iranianos da geração Z com expertise em mídia, que produz os conteúdos de forma independente e sem vínculos com o governo — embora explicitem seu posicionamento pró-regime.

À BBC, o suposto criador da página, que se denomina “Mr. Explosive” (“senhor explosivo”), admitiu, entretanto, que Teerã era um de seus “clientes”.

Vários vídeos da Explosive foram compartilhados por perfis oficiais de embaixadas e lideranças políticas do Irã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, escreveu no X que a suspensão no YouTube visava “suprimir a verdade sobre a guerra ilegal contra o Irã”.

“Numa terra que orgulhosamente abriga a Pixar, a DreamWorks Animation e a The Walt Disney Company, um canal independente de animação no YouTube — que havia crescido organicamente ao retratar a agressão e o belicismo dos EUA, e conquistado milhões de espectadores — foi abruptamente fechado!!
Por quê?!”, questionou;

Vale lembrar que o regime de Teerã impõe um bloqueio no acesso à internet à população iraniana país há 48 dias, de acordo com monitoramento do site NetBlocks. À BBC, o suposto criador da página contou que o acesso à internet do grupo foi garantido pelo governo em razão do trabalho jornalístico que produzem.

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