Estava na varanda do apartamento aqui em Bari, com o café já frio e o celular na mão, quando a mensagem chegou com o vídeo. Parei tudo. Assisti duas vezes. Na segunda, eu precisei respirar fundo antes de continuar.
No último domingo do BBB 26, enquanto os três finalistas eram definidos após a eliminação de Leandro Boneco, Tadeu Schmidt fez algo que nenhum apresentador de reality faria segundo o manual. Ana Paula Renault havia sido informada, poucos minutos antes, da morte do seu pai, Gerardo Renault. Tadeu a olhou nos olhos e disse, ao vivo, para milhões de pessoas: que também estava vivendo um luto. Seu irmão, Oscar Schmidt, havia morrido na sexta-feira anterior, dia 17.


O que circulou nas redes foi o vídeo do momento, assisti compartilhado por quem chora fácil e por quem jura que não chora nunca. Ana Paula, em choque, disse que não estava entendendo nada do que estava acontecendo. Tadeu respondeu que o programa entenderia qualquer decisão dela. E então veio a frase: “Isso foge totalmente do protocolo, mas nessas alturas dane-se o protocolo.”
Existe uma diferença enorme entre condolências de estúdio e o que aquilo foi. Tadeu não usou o luto alheio para fazer televisão. Ele dividiu o próprio para dizer que Ana Paula não estava sozinha no programa nem na dor. Isso não é roteiro. Isso é caráter se manifestando onde ninguém esperava.
A Ana Paula disse, chorando: “Tadeu, que roteirista é esse?” Não é roteiro, minha filha. É que às vezes a vida é maior do que qualquer edição.
Confira o vídeo: