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“Yes, we can”: democratas recorrem ao carisma de Obama antes das eleições de meio de mandato

Ex-presidente participa de comícios em apoio a candidatos do partido em meio à disputa pelo controle do Congresso e à insatisfação com a inflação

Redação Jornal de Brasília

29/10/2026 16h35

former president barack obama campaigns alongside michigan senate candidate abdul el sayed

Foto: BILL PUGLIANO / AFP

Dias antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que definirão o equilíbrio de poder no Congresso, os democratas recorrem ao ex-presidente Barack Obama para mobilizar os eleitores e ajudar a impulsionar o partido rumo à vitória.

“Sim, nós podemos!”, gritava a multidão em um comício em Atlanta, na quarta-feira (28), resgatando o lema “Yes, we can” da histórica campanha de Obama à Casa Branca em 2008.

“São tempos complicados”, afirmou, ao criticar líderes políticos que “gostam de insultar e dividir, em vez de unir as pessoas para resolver problemas”.

O primeiro presidente negro dos Estados Unidos participou de três comícios nesta semana em apoio a candidatos democratas nas eleições da próxima terça-feira (3). Os eleitores escolherão os parlamentares que ocuparão suas cadeiras durante o restante do mandato de Donald Trump.

O controle democrata do Congresso imporia fortes restrições legislativas ao presidente republicano durante seus últimos dois anos no cargo.

Trump iniciou uma ofensiva de comícios eleitorais por todo o país, inclusive em estados tradicionalmente republicanos, onde seu partido enfrenta disputas acirradas.

Obama esteve em Atlanta para apoiar o senador Jon Ossoff, que, com as mangas arregaçadas e aparência jovial, busca a reeleição na Geórgia. Amplamente considerado um possível candidato à Presidência em 2028, o parlamentar tem sido comparado ao ex-presidente de 65 anos.

“Ele tem uma energia que ninguém mais tem”, disse Jennifer Lee, uma estudante de 21 anos presente no comício, referindo-se a Obama.

“Ele faz você sentir alguma coisa, e é exatamente disso que os democratas precisam agora: entusiasmar as pessoas, levá-las às urnas”, acrescentou.

– Onda azul –

Luc Brearley, um professor de 32 anos, mostrou-se mais cauteloso quanto ao efeito Obama.

“Provavelmente ele pode ajudar a aumentar a participação em alguns lugares, como Atlanta ou Filadélfia. Mas, nos distritos em disputa, não acho que um discurso vá mudar a opinião de ninguém”, disse à AFP.

“As pessoas estão votando com base nos preços e em suas próprias vidas”, destacou.

Os republicanos temem uma “onda azul” democrata em 3 de novembro, impulsionada por eleitores irritados com a inflação elevada, alimentada pelos preços do petróleo em meio ao conflito com o Irã.

Em Obama, “os democratas encontraram seu verdadeiro porta-voz para as eleições legislativas de meio de mandato”, avaliou Barbara Perry, especialista em presidentes americanos da Universidade da Virgínia.

Perry destacou sua “capacidade de empolgar a multidão” e seu “senso de humor, que tem usado contra Trump”.

“É um ex-presidente jovem e enérgico”, que continua sendo “muito querido e considerado muito confiável, certamente entre os democratas, mas até mesmo de forma mais ampla”, afirmou, por sua vez, Julian Zelizer, professor de História e Assuntos Públicos da Universidade de Princeton.

“Isso faz dele alguém muito valioso”, explicou.

E, enquanto os democratas procuram um líder para as eleições presidenciais de 2028, acrescentou Zelizer, Obama pode facilmente ocupar temporariamente esse espaço de liderança.

AFP

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