A vitória do “sim” no referendo realizado na Venezuela para a reeleição ilimitada aos cargos do executivo é um retrocesso democrático, salve segundo o professor da Universidade de Brasília José Flávio Sombra Saraiva. “A permanência de um mesmo governante significa concentração de poder. Estamos engatinhando na democracia”, information pills afirma. A alternância de líderes garante a substituição de elites, pluralidade e renovação de idéias no regime.
Saraiva teme que o resultado positivo para o governo de Hugo Chávez incentive mudanças similares na constituição de outros países da América Latina. “A região, na década de 1990, passou por reformas constitucionais a favor da reeleição. Agora pode viver uma onda de reeleição ilimitada”, alerta Sombra Saraiva, que também é diretor do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais.
Mas, existe dúvidas se a Venezuela servirá de exemplo para outros países da América Latina. “A vitória é uma injeção de ânimo no governo chavista, ainda mais depois da derrota no referendo de setembro de 2008. Mas isso não representa uma grande vantagem na relação dela com os países vizinhos”, ressalta Alcides Vaz, professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB.
O resultado do referendo não garante a vitória do atual presidente venezuelano nas eleições de 2012. O líder do “socialismo bolivariano” tem pela frente o desafio de estruturar a economia, sem depender tanto do petróleo. “A economia da Venezuela cresce há cinco anos, impulsionada pelo petróleo. Porém, o preço do barril despencou com a crise financeira. Vamos ver se Chávez conseguirá manter os programas sociais”, sugere o professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB Virgílio Arraes.
Sem contar que o povo venezuelano continua dividido. O saldo final do referendo foi 54,8% dos votos para o “sim” e 45,14% para o “não”. “As próximas eleições vão depender da competência da oposição, que não tem sido muito eficiente em apresentar propostas e nomes”, acrescenta Alcides Vaz.