As eleições presidenciais do Egito marcadas para setembro não sofrerão atrasos “por nenhum motivo”, afirmou nesta quinta-feira o vice-presidente do país, Omar Suleiman, em entrevista divulgada pela televisão pública.
Suleiman também disse que os protestos que acontecem no Egito desde semana passada são causados por interesses estrangeiros, de determinados empresários – que não identificou – e do grupo político Irmandade Muçulmana.
Na entrevista, a primeira de Suleiman desde que foi designado vice-presidente no sábado passado, o alto funcionário insistiu em um diálogo que começou nas últimas horas, com a ausência dos principais grupos de oposição.
Esse diálogo, que se prolongará por cinco ou dez dias, manterá um calendário de trabalho que deve culminar com as próximas eleições, acrescentou Suleiman. Segundo ele, nem Mubarak “nem ninguém de sua família” irá concorrer a essas eleições.
O filho mais novo de Mubarak, Gamal, alto dirigente da legenda governista Partido Nacional Democrático (NDP), era cotado como um dos mais prováveis sucessores de Mubarak, junto ao próprio Suleiman.
O vice-presidente egípcio admitiu que, no diálogo iniciado pelo Governo, ficaram ausentes importantes partidos de oposição, como o liberal Wafd e o esquerdista Tagamu.
Também estão ausentes os principais grupos que promovem as propostas contra o regime político de Mubarak: a Irmandade Muçulmana e a Assembleia Nacional para a Mudança, liderada pelo Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei.
Na entrevista, que se prolongou por 45 minutos, o general Suleiman revelou que “se estabeleceu um contato” com a Irmandade Muçulmana, grupo ilegal mas tolerado pelo regime, a fim de que se vinculem ao diálogo político.
“(Esses partidos) estão com dúvidas (sobre sua possível participação), mas acho que é uma oportunidade valiosa para eles”, acrescentou.
O prazo de setembro para as eleições, insistiu, “deve ser cumprido”. Ele deu a entender que, da mesma forma que não se prevê nenhum atraso para o pleito, também não seria possível antecipá-lo.
“Precisamos de tempo para o processo eleitoral”, destacou. “O consenso necessita tempo e diálogo”.
Acerca dos protestos contra o regime de Mubarak, Suleiman disse que “as reivindicações dos jovens são legítimas”, mas ressaltou que eles estão sendo manipulados por aqueles que defendem interesses estrangeiros ou pela Irmandade Muçulmana. “Estamos reunindo informações sobre o assunto”.
Embora a oposição exija a dissolução do atual Parlamento, surgido das eleições legislativas de novembro e dezembro, infestadas de denúncias de fraude, Suleiman rejeitou essa possibilidade.
Ele lembrou, no entanto, que Mubarak determinou que sejam avaliadas as apelações apresentadas após as eleições, que afetam a maioria dos parlamentares eleitos.