O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Zalmay Khalilzad, acusou o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, de “proteger” o regime zimbabuano por sua recusa a adotar uma postura mais firme contra Mugabe.
O americano considerou que as negociações mediadas pelo líder sul-africano em Pretória entre o Governo de Harare e a oposição foram um “fracasso”.
“Não há nada sério nessas negociações”, disse Khalilzad na saída da reunião do Conselho em que China e Rússia vetaram a adoção das sanções.
A África do Sul, que também votou contra, disse que as sanções atrapalhariam as novas negociações entre a governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) e o opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC).
A África do Sul realiza a tarefa de mediação, representando a Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC).
Khalilzad disse que “é preocupante como o presidente Mbeki protege o regime de Mugabe”, se recusando a aumentar a pressão sobre Harare.
“Ele está se opondo a que um país vizinho tenha as mesmas coisas que conseguiu o seu”, comentou.
Os defensores das sanções acusaram a Rússia de ter se negado a negociar seu conteúdo e propor alternativas, apesar do respaldo de Moscou na cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) a tomar medidas contra Mugabe.
“Ninguém colaborou, ficaram sentados e se limitaram a votar não”, afirmou o embaixador britânico na ONU, John Sawers.
O diplomata russo, Vitaly Churkin, respondeu que o argumento do britânico “não era baseado em fatos” e reiterou que o acordo do G8 não supunha um respaldo explícito às sanções.
Ele advertiu que a resolução “era uma tentativa de se intrometer em assuntos internos de um Estado” que não representa uma ameaça à paz internacional.
Para o embaixador do Zimbábue na ONU, Boniface Chidyausikua, a derrota da resolução representa um respaldo ao Governo de Harare.
“Os EUA fizeram uma leitura da situação, os americanos acham que dominam o mundo, mas não é assim”, disse Chidyausikua.