O Governo venezuelano punirá a partir de 1º de março o desperdício de água com aumentos na tarifa e com a suspensão do serviço, como parte de um plano para preservar as reservas perante a forte e prolongada seca no país, informou hoje a imprensa local.
O Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, implementa desde novembro e janeiro passado cortes programados de água e luz, respectivamente, como parte de um plano de economia para enfrentar a crise energética que afeta especialmente o setor elétrico.
Alejandro Hitcher, ministro do Ambiente e presidente da estatal Hidrocapital, que abastece Caracas, disse em entrevista ao jornal “Últimas Notícias” que o novo aumento tarifário será aplicado por cada metro cúbico consumido em excesso, e os cortes punirão os reincidentes nessa conduta.
O ministro acrescentou que, no caso residencial, se estabeleceu uma dotação mensal de 40 metros cúbicos de água por moradia a um custo de 1 bolívar (US$ 0,23) cada um.
Cada metro cúbico acima desta dotação e até os 100 metros cúbicos custará 3,50 bolívares (US$ 0,81), e a tarifa aumentará para 5 bolívares (US$ 1,16) quando o consumo superar os 100 metros cúbicos.
Esse esquema se repete para as tarifas comercial e industrial, esta última com variantes porque foi classificada entre as categorias “A”, para as empresas que têm a água como “insumo essencial”, e “B”, para as que não o têm.
“Para as pessoas a quem não importe pagar o excesso e continuem desperdiçando água, o serviço será cortado”, declarou Hitcher ao “Últimas Notícias”.
O ministro afirmou que o nível dos reservatórios venezuelanos “continua crítico” devido à seca, a pior em 45 anos segundo dados oficiais, e que por isso o Executivo insiste na economia do recurso.
Hitcher esclareceu que, no caso de Caracas e seus arredores, existem “reservas para 370 dias, supondo que não se perca nem uma gota d’água, o que não significa que se possa fazer uso irracional do serviço”.
O presidente Chávez decretou na semana passada estado de “emergência elétrica” perante a crise que atinge o setor e ameaça deixar o país às escuras a curto prazo.
As medidas de emergência incluem cortes programados do serviço, aplicados desde janeiro passado, assim como um plano de economia em Caracas com penas pecuniárias e até a suspensão do serviço.
O Governo atribui a crise elétrica à forte seca, enquanto a oposição a culpa o Governo pela suposta falta de previsão e investimento no setor durante os mandatos de Chávez, que já completou uma década no poder.