O Governo venezuelano disse hoje que “estudará” as ofertas de fornecimento de energia do Brasil e da Colômbia assim que forem formalizadas, mas pôs em dúvida a seriedade da proposta colombiana.
“Pareceu ser mais uma medida política, buscando colocar a Venezuela na defensiva”, disse o ministro da Energia Elétrica, Alí Rodríguez, em declarações à emissora venezuelana “Unión Radio”.
É “muito suspeito” que haja “uma espécie de coordenação” entre a imprensa venezuelana opositora e “o Governo da Colômbia” para a divulgação dessa oferta, acrescentou.
A Venezuela vive uma grave crise energética que ameaça deixar o país no escuro. O problema obrigou o Governo a decretar estado de emergência e a lançar um plano de racionamento em Caracas.
“Uma oferta séria e consistente não é feita pela imprensa”, como fez a Colômbia, disse Rodríguez. Ele acrescentou que se desconhece a quantidade e o preço da energia oferecido pelo vizinho, com o qual Chávez congelou as relações em meados de ano passado devido a um acordo militar entre Bogotá e Washington.
A Colômbia anunciou que amanhã oficializará uma oferta de fornecimento de energia à Venezuela que, quando lançada na segunda-feira, o vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, rejeitou com o argumento de que Caracas está “ocupada e trabalhando” para gerar um sistema elétrico alternativo.
“No mês de maio, será normalizado o sistema elétrico no país”, acrescentou Juau na segunda-feira ao ser consultado pela imprensa local sobre a proposta da Colômbia.
Rodríguez sustentou hoje que Jaua “em nenhum momento rejeitou a oferta”, porque “simplesmente não havia uma oferta propriamente dita, mas sim um comentário vago, genérico”.
“Quando haja uma oferta a responderemos. Até este momento não recebemos nenhuma oferta de nenhuma autoridade nem nenhuma empresa colombiana de nos vender eletricidade”, reiterou.
“Se houver alguma oferta por parte da Colômbia, a analisaremos, assim como também o faremos com uma oferta do Brasil uma vez concretizada uma oferta (brasileira) igualmente a consideraremos”, afirmou Rodríguez, segundo um comunicado da “Agencia Bolivariana de Notícias” (“ABN”).
Acrescentou, de acordo com a informação da ABN, que para o Governo venezuelano o “primordial” é aumentar a geração elétrica nacional, mais do que importar energia dos países vizinhos.
Sobre a proposta, Rodríguez explicou que se trata de que a Venezuela deixe de fornecer ao Brasil os 80 megawatts que vende e que, pelo contrário, comece a importar energia.
O Governo atribui a crise à forte seca, enquanto a oposição a atribui à suposta falta de previsão e investimento no setor ao longo dos dez anos de Governo Chávez.