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Unicef alerta para 13,5 milhões de crianças sem vacinas no mundo

Relatório aponta avanço global na cobertura vacinal, mas mantém o alerta para surtos, estagnação em alguns países e desafios no Brasil.

Redação Jornal de Brasília

15/07/2026 11h39

Foto: José Cruz/Agência Brasil

A cobertura vacinal na primeira infância ainda está distante da universalização. Segundo dados governamentais compilados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e divulgados nesta quarta-feira (15), 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina durante o primeiro ano de vida em 2025. Outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico, com três doses da vacina que protege contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

O estudo Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional indica que os números representam avanço em relação ao ano anterior. Em 2024, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, o que representa 750 mil a mais do que em 2024.

Apesar da melhora, o Unicef alerta que a permanência do número de crianças zero-dose eleva o risco de surtos de doenças. O fundo avalia esse índice como alto e em patamar próximo ao observado em 2009, abaixo do período anterior à pandemia de Covid-19. O programa de vacinas da entidade informa ainda que o abandono do ciclo de imunização ocorre principalmente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1): 84% das crianças receberam a primeira dose, e apenas 77% a segunda (MCV2).

O limite considerado seguro para a imunização contra o sarampo é de 95%. Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos da doença no mundo, em surtos que atingiram 57 países.

Segundo o relatório, os dados foram enviados pelos governos de 195 países. Desses, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com três doses da vacina DTP desde 2019, com pouco progresso na ampliação desse grupo. Entre os países abaixo desse patamar em 2019, 30 melhoraram as taxas ao longo dos últimos seis anos, enquanto 65 permaneceram estagnados ou retrocederam, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Em nota, Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, afirmou que governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperar após a forte queda observada durante a pandemia de Covid-19, mas que milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas por conflitos, deslocamentos forçados e pobreza.

O relatório aponta que mais da metade de todas as crianças zero-dose vive em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora esses locais abriguem cerca de um terço da população infantil mundial. O levantamento também destaca que, nesses cenários, os programas de imunização enfrentam instabilidade política, insegurança e subfinanciamento crônico.

Outro desafio apontado é a diminuição da cobertura em países de renda média e alta, influenciada por mudanças no compromisso político, dificuldades estruturais e aumento da hesitação vacinal. Entre os exemplos citados estão a África do Sul, onde a cobertura da DTP1 caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025, e a Bósnia e Herzegovina, que teve queda de 23 pontos percentuais no último ano, após registrar o maior aumento da cobertura da MCV1 da região em 2024.

No Brasil, o cenário segue na contramão desse movimento, com melhora constante da cobertura vacinal e redução do número de crianças zero-dose, estimado em 50 mil no país. O relatório atribui isso à melhora da cobertura e da qualidade na integração dos dados públicos. Entre as principais vacinas, apenas o ciclo completo da tríplice DTP-3 mantém índices baixos, com cobertura na faixa de 86%.

Os dados nacionais, porém, recebem uma crítica específica: a ausência de levantamento independente sobre o tema nos últimos cinco anos, medida recomendada pela OMS e pela Unicef para garantir a qualidade das informações. O estudo também informa que as bases que sustentaram o avanço vacinal estão sob forte pressão, com recentes cortes de financiamento — principalmente pelo governo dos Estados Unidos — e enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Neste ciclo, foram realizadas e enviadas apenas 18 pesquisas nacionais de imunização, ante 50 em 2024 e uma média de 33 por ano entre 2015 e 2019.

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