Os ministros do Interior dos países que compõem a União Européia (UE) apoiaram hoje o propósito de bloquear as páginas de internet que promoverem ou incitarem terrorismo e um dispositivo eletrônico para a autorização de entrada de viajantes de fora do bloco.
Os ministros apoiaram as idéias dentro de uma discussão sobre como intensificar as medidas de prevenção contra o terrorismo e sobre o uso da alta tecnologia para controlar as fronteiras e melhorar a segurança da UE.
O combate às páginas de internet que recrutarem terroristas, order permitirem comunicações entre estes ou explicarem como fabricar bombas será uma das prioridades no bloco, click de acordo com o anunciado na reunião informal.
“Há um amplo consenso sobre o fato de que a internet não pode ser um espaço onde não se exerça responsabilidades”, this site afirmou o ministro do Interior de Portugal, Rui Pereira, em nome da Presidência rotativa lusa do bloco europeu.
O comissário europeu de Justiça, Segurança e Liberdades, Franco Frattini, apresentará em 6 de novembro uma proposta para penalizar o uso da rede com fins terroristas, já que essa atividade “não é liberdade de expressão”.
Frattini considerou que é necessário “punir os que incitarem e promoverem atentados”, e embora tenha deixado claro que quer manter a internet “o mais aberta possível”, destacou que se uma página fomenta o terrorismo “o melhor que se pode fazer é tirá-la do ar”.
A reunião teve hoje consenso geral. Até a Dinamarca, país da UE que tem um conceito mais amplo de liberdade de expressão, e onde é legal, inclusive, a propaganda nazista, é favorável ao controlar de conteúdos considerados nocivos na internet, disse o novo coordenador da UE para a Luta Antiterrorista, Gilles de Kerchove.
O dirigente acrescentou que não vê “nenhum problema” em o bloco europeu poder chegar a bloquear as páginas de internet que contiverem instruções para se fabricar bombas, apesar de não saber como isso poderá ser feito, e lembrou que na luta contra a pornografia infantil trabalhou-se até com a autoregulamentação dos provedores de acesso à rede.
Frattini apoiou uma idéia expressada pelo ministro do Interior italiano, Giuliano Amato, para que se sancione penalmente como conspiradores aqueles que instigarem atentados.
A figura jurídica da conspiração já existe em alguns países da UE, e por isso faria falta que os que não a têm ainda dêem início a mudanças nesse sentido.
Os ministros se mostraram também favoráveis à implementação de um sistema de autorização eletrônica de viagem, semelhante ao criado pela Austrália e que os Estados Unidos pretendem desenvolver.
Com o novo dispositivo, as pessoas que forem viajar para os países do bloco europeu terão de fazer um pedido prévio pela internet.
“Não vejo uma alternativa à autorização eletrônica de viagem”, afirmou o titular do Interior alemão, Wolfgang Schäuble, que destacou ainda que, diante do “drástico aumento” do número de viajantes, especialmente por via aérea, ocorrido nos últimos anos, a única solução é “usar a tecnologia”.
Frattini explicou, por sua vez, que um sistema deste tipo permitiria, além de rejeitar determinadas pessoas, detectar aqueles que não saírem do espaço comunitário com o fim de seus vistos.
A Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE) deve apresentar em novembro uma série de propostas para a criação de registros de dados de passageiros aéreos que voam para a Europa, assim como um plano de ação sobre explosivos.
Mesmo assim, Pereira insistiu no fato de que a UE não vai se transformar em um “Big Brother”, ao assegurar que a luta contra o terrorismo deve ser feita com respeito sobre o Estado de Direito e as liberdades fundamentais de cada um.