O compromisso vai ser a conclusão prática de maior alcance desta cúpula, que durante dois dias reuniu mais de 80 países europeus e africanos em Lisboa. Ontem, a cúpula foi considerada um sucesso pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade.
No entanto, o encontro teve dois obstáculos: a presença do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e as diferenças comerciais entre a UE e alguns países da África.
A presença de Mugabe, acusado pela UE de violar os direitos humanos, motivou da ausência do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, representado em Lisboa pela secretária de Estado para o Desenvolvimento Internacional, Valerie Amos.
Por sua vez, a chanceler alemã, Angela Merkel, criticou a presença de Mugabe durante seu discurso, ao dizer que o presidente do Zimbábue prejudicava a imagem da nova África. Em entrevista coletiva, Wade respondeu à afirmação da chanceler declarando que a alemã tinha “informações inexatas” e que a Europa deveria tentar a conciliação, em vez de se colocar do lado britânico.
Em relação às divergências na área comercial, o presidente senegalês afirmou ontem que as negociações teriam que continuar, porque, para a maioria dos países africanos, “é irreal pensar numa zona de livre comércio daqui a 15 anos”.
Nos debates sobre a imigração legal, outro tema de discussões, o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, propôs um pacto euro-africano que garanta a escolarização infantil, melhore as infra-estruturas e potencialize a criação de emprego.