A um mês do fatídico terremoto de 15 de agosto, salve as ruas da cidade peruana de Pisco, pharmacy a mais devastada, seguem abarrotadas de escombros e seus habitantes começam a ter de volta serviços básicos, enquanto a reconstrução é organizada.
“Há coisas nas quais avançamos, mas outras em que ainda necessitamos avançar muito mais, como a remoção de escombros, a localização das famílias, tratar de levar as crianças de novo às escolas e dar o que elas necessitam, como na parte nutricional por exemplo”, disse à agência Efe o representante do Escritório para a Coordenação de Desastres Naturais da ONU, Gabriel Darío Samudio.
Samudio visitou Pisco esta semana, a cidade que foi 90% destruída pelo terremoto de 7,9 graus que assolou mais de 150 quilômetros do litoral peruano, deixando 519 mortos, mais de 1.300 feridos e 56.000 famílias danificadas.
O representante da ONU lembrou que este organismo fez uma apelo à comunidade internacional para arrecadar 39 milhões de dólares destinados à reconstrução da zona devastada e aos desabrigados, entre eles as crianças traumatizadas pela tragédia.
“Neste tipo de emergências os bebês e os idosos necessitam outro tipo de tratamento”, advertiu Samudio, explicando que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) garantiu o apoio nutricional às crianças.
Desde o agosto passado, 1.950 pessoas receberam ajuda psicológica para superar o impacto emocional do terremoto, a maioria crianças, segundo dados fornecidos hoje pela Cruz Vermelha peruana.
O impacto psicológico é, em 90% dos casos, o mais freqüente entre os moradores do litoral peruano, que apresentam ainda um alto grau de problemas respiratórios agudos e dermatológicos, acrescentou em um relatório o organismo internacional.
Enquanto ainda faltam retirar 700.000 toneladas de escombros de Pisco, a cidade recuperou 85 % do serviço de iluminação pública e doméstica, segundo o prefeito Juan Mendoza. No entanto, os danos causados no sistema de águas e esgoto poderia gerar uma emergência sanitária, já que os sistemas de bombeamento dos dejetos não estão completamente operativas e poderiam inundar a cidade e contaminar a água potável.
Outra prioridade é o reinício das classes escolares, que na próxima segunda-feira devem ser normalizadas em 80% das instituições, informou hoje o vice-ministro de Gestão Institucional, Víctor Rául Díaz.
A vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Pamela Cox, esteve em Pisco esta semana, onde propôs aos setores privado e público para trabalharem juntos e a longo prazo na reconstrução da zona devastada.
Após a catástrofe, o Governo peruano criou o Fundo para a Reconstrução do Sul (FORSUR), com um orçamento de 100 milhões de dólares, para realizar as obras de reabilitação e reconstrução, tramitar os investimentos e autorizar a contratação de pessoal e empresas para as melhorias nas áreas atingidas.
O forte terremoto párou o coração do “boom exportador” da economia peruana, a localidade de Ica, responsável pelo aumento das vendas ao exterior nos últimos anos por sua produção de aspargos e pimentões, entre outros cultivos, e cuja a contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB) é de 3,6%.
Ica abriga empresas mineiras, de gás, têxteis e pesqueiras, além de ser um importante destino turístico ao acolher a Reserva Nacional de Paracas, uma das mais visitadas do país e que perdeu algumas de suas mais importantes formações rochosas, como A Catedral.
A magnitude da tragédia motivou que personalidades, como os presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Bolívia, Evo Morales, viajassem à zona nas últimas semanas para mostrar sua solidariedade, enquanto a ajuda internacional enviada supera as 2.000 toneladas, segundo fontes oficiais.