O presidente americano tentou dar ao aniversário de sua eleição o status de um dia qualquer. Após as reuniões diárias com seus assessores, foi a Madison, no Wisconsin, para promover a reforma na educação em um ato com alunos de ensino médio.
O aniversário chega um dia após eleições para governador de Nova Jersey e Virgínia, em que os candidatos republicanos derrotaram os democratas. Os resultados foram interpretados por muitos como um forte revés para a Casa Branca.
Em seu discurso, Obama pareceu querer passar por cima desses resultados e fez poucas referências ao aniversário de seu triunfo.
“Foi um dia de esperança e possibilidades, mas também instrutivo porque sabíamos que como povo encarávamos toda uma série de desafios”, afirmou Obama, que citou a pior crise econômica desde a Grande Depressão e as guerras em Iraque e Afeganistão.
O presidente louvou as medidas adotadas por seu Governo, que para ele permitiram que a economia voltasse a crescer no terceiro trimestre do ano. Obama reiterou ainda seu compromisso com projetos mais a longo prazo, como a reforma do sistema de saúde e a promoção de energias limpas.
Obama deixou a seu porta-voz, Robert Gibbs, a tarefa de responder à imprensa sobre os resultados das eleições de terça-feira.
Gibbs minimizou a importância das consequências para a Casa Branca desse pleito, e indicou que os eleitores se pronunciaram sobre “assuntos locais” e não sobre o presidente americano. A crise econômica, apontou, também desempenhou um papel destacado.
O porta-voz da Presidência, que ressaltou que outros resultados eleitorais deram a vitória a candidatos democratas em disputas por duas cadeiras na Câmara de Representantes de Nova York e Califórnia, assegurou que a derrota em Nova Jersey e Virgínia não terá repercussão na agenda da Casa Branca.
Gibbs frisou que outra questão serão as eleições legislativas de 2010, quando toda a Câmara e Senado serão renovadas.
Uma das possibilidades apontadas pelos analistas é que, diante do fortalecimento dos republicanos, os democratas moderados voltem atrás na hora de apoiar Obama em projetos legislativos.
Obama chega ao aniversário de sua vitória tentando levar à frente a reforma do sistema de saúde, uma tarefa em que seus antecessores fracassaram.
Na atualidade, o Congresso debate a reforma e a Casa Branca considera que as perspectivas seguem sendo boas para aprová-la antes do fim do ano, apesar de alguns democratas moderados estarem reticentes em dar seu aval.
O presidente americano se viu obrigado, perante o atraso na reforma de saúde, a aceitar ver outras prioridades legislativas adiadas para o ano que vem, como a luta contra a mudança climática e a reforma migratória.
O aniversário de seu histórico triunfo, que o tornou o primeiro presidente negro dos EUA, chega também quando Obama tenta estabelecer uma estratégia para o Afeganistão e decidir se envia ou não mais soldados a esse país.
Coincide também com o 30º aniversário do assalto à Embaixada Americana em Teerã, marco da ruptura das relações entre EUA e Irã, que Obama tentou recompor este ano sem sucesso até o momento.
O presidente americano fez hoje uma nova chamada nesse sentido ao Irã para que decida se quer se prender ao passado ou “abrir a porta” ao futuro.
“Tenho que deixar claro que os EUA querem deixar para trás o passado e buscar uma relação com a República Islâmica do Irã baseada no interesse e no respeito mútuo”, assegurou.