O ministro de Assuntos Exteriores da Uganda, Sam Kutesa, qualificou nesta quinta-feira de “extremamente inexato e ilógico” o conteúdo dos documentos vazados pelo portal WikiLeaks, que revelam detalhes sobre conversas entre o presidente do país, Yoweri Museveni, e diplomatas americanos
“Li na imprensa os documentos do WikiLeaks sobre conversas entre o presidente Museveni e funcionários americanos e, apesar de termos falado com o Governo dos Estados Unidos sobre assuntos regionais e internacionais, o conteúdo desses textos é extremamente inexato e ilógico”, destacou Kutesa através de comunicado.
Segundo o WikiLeaks, Museveni teria dito aos americanos que temia que o líder líbio, Muammar Kadafi, com quem mantém desavenças há muitos anos, pudesse atentar contra sua vida fazendo com que seu avião explodisse.
“Se o presidente percebesse alguma ameaça enquanto voa no espaço aéreo internacional ou sobre águas internacionais, a solução para ele seria ficar em casa. Outros líderes mundiais fizeram isso no passado”, declarou Kutesa na breve nota à imprensa.
Os documentos do WikiLeaks descrevem conversas entre Museveni e a antiga subsecretária de Estado americana para Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, nas quais o presidente de Uganda aparentemente faz comentários depreciativos sobre líderes africanos, incluindo Kadafi, Robert Mugabe (Zmbábue), Isaias Efeworki (Eritreia) e Joseph Kabila (República Democrática do Congo).
Segundo os textos vazados pelo WikiLeaks, Museveni descreve Kadafi como “um problema” e o acusa de “influenciar os Governos africanos débeis comprando-os, intimidando-os ou desestabilizando-os, se estes não apoiarem sua ideia de Estados Unidos da África”, dos quais o líder líbio pretende ser o presidente.
De acordo com os documentos, Museveni também teria dito a Jendayi que Mugabe era “uma vergonha para os líderes da libertação” do continente africano.
Mais documentos do WikiLeaks, com novos detalhes sobre as conversas de Museveni com Jendayi, foram divulgados na noite desta quarta-feira por vários meios de comunicação internacionais.
Por sua vez, o atual subsecretário de Estado americano para Assuntos Africanos, Johnnie Carson, se reuniu via satélite com vários meios de comunicação da África, mas se negou a falar sobre algum documento em particular.